Com o objetivo de superar o problema de desabastecimento da vacina tríplice viral em todo o país, o Instituto Evandro Chagas (IEC) e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolvem desde fevereiro deste ano em Belém, em parceria com órgãos municipal e estadual, um estudo para avaliar a vacina tríplice viral produzida integralmente pelos laboratórios do Bio-Manguinhos.
De acordo com o coordenador do estudo e chefe do Serviço de Epidemiologia do IEC, o médico infectologista dr. Lúzio Ramos, sobretudo, a ideia é fazer com que o Brasil seja autossuficiente na produção da vacina.
O estudo está sendo aplicado em quatro unidades de saúde de Belém, sendo a unidade municipal de saúde do Guamá, no Jurunas, na Marambaia e no Centro de Saúde Escola da Universidade Estadual do Pará (Uepa), no bairro do Marco. Segundo o médico, está ocorrendo atualmente um surto de sarampo no Ceará, o que reforça ainda mais a necessidade de abastecimento da vacina. Somente neste ano, a secretaria de Saúde daquele Estado contabilizou 141 casos da doença. A cobertura satisfatória é de 95% do público-alvo.
“É uma transferência de tecnologia. A vacina tríplice viral já existe no Programa Nacional de Imunizações (PNI/MS) e, inclusive, é produzida em Bio-Manguinhos. Só que o produto, que são os vírus, de onde se extrai a vacina, é originalmente de um laboratório da Bélgica que produziu a vacina. E essa parceria entre o laboratório Belga e a Fiocruz foi estabelecida para que a Fiocruz ficasse produzindo a vacina aqui no Brasil. Agora, vai ser feita definitivamente essa transferência de tecnologia. Ou seja, o produto que origina a vacina foi entregue à Fiocruz que está produzindo a mesma vacina diretamente. Nós estamos fazendo o estudo para passar a produzir e o Brasil ser autossuficiente”, garante o médico.
No estudo, duas questões estão sendo avaliadas: a capacidade de indução à produção de anticorpos contra as doenças que a vacina protege e os efeitos adversos provocados pela mesma. “A partir daqui, o Brasil vai produzir a vacina para o mercado interno e, com isso, a gente assegura que haverá produto suficiente para o nosso consumo e quem sabe até para exportar. Nós vamos, por exemplo, superar um problema que ocorre não só a nível nacional, mas mundial, que é o desabastecimento”, explica Ramos. Ano passado, na campanha, a vacina faltou e o país teve que importar uma vacina indiana. O público alvo são crianças de 12 a 15 meses. Segundo ele, o estudo é só para comprovar que o Brasil já tem a capacidade de produzir.
(Diário do Pará)
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