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Jovem espera por leito de UTI em Belém

Quase um mês após o incêndio que atingiu o Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, no Umarizal, a população continua padecendo à procura de atendimento médico em Belém. Grande parte dessa agonia acontece no PSM do Guamá, para onde muitos pacientes foram r

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Quase um mês após o incêndio que atingiu o Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, no Umarizal, a população continua padecendo à procura de atendimento médico em Belém. Grande parte dessa agonia acontece no PSM do Guamá, para onde muitos pacientes foram redirecionados.

Para o Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), nada foi feito pela Prefeitura de Belém, até o momento, no sentido de colocar em prática o plano emergencial com o objetivo de reestruturar a rede de urgência e emergência da capital e, com isso, desafogar o HPSM Humberto Maradei, que segue superlotado.

Mãe de uma paciente internada no hospital, a dona de casa Maria Élia Cordeiro, 52, contou que a jovem Graciele Ferreira Costa, 18, estava em estado grave e precisou ser entubada depois de sofrer uma parada cardíaca na manhã de ontem. Diagnosticada aos 16 anos com a miastenia gravis, um distúrbio crônico neuromuscular caracterizado pela fraqueza muscular e fadiga rápida, Graciele já teve várias crises da doença. Mas, desta vez, a demora no atendimento teria ocasionado uma complicação ainda mais grave.

Maria trouxe a filha para Belém no último sábado. Ela veio da Vila dos Cabanos, Distrito de Barcarena. No PSM do Guamá, ela foi atendida por um neurologista que a medicou e informou que seria solicitada a sua transferência. Porém, Maria conta que Graciele só foi cadastrada na central de leitos na tarde da última segunda-feira. Contudo, a jovem precisava ser transferida para um hospital com Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas no cadastrado constava para enfermaria.

O erro só foi corrigido na tarde de ontem, depois que Graciele teve uma parada cardíaca e entrou em coma. “Desde a madrugada minha filha está esperando leito de UTI para poder sair daqui. Eles falam que não tem emergência, não tem nada, porque o hospital está lotado”, disse a mãe desesperada.

De acordo com a tia de Graciele, havia leito vago na UTI do PSM, entretanto, os funcionários informaram que os aparelhos da unidade não estão funcionando. Mesmo entubada, Graciele aguardava transferência internada na sala de sutura do hospital, junto com muitos outros pacientes.

Sindmepa

O diretor do Sindmepa, João Gouvea, disse que uma nova reunião com o secretário municipal de Saúde, Sérgio Amorim, estava marcada para hoje, mas faltava ainda a confirmação por parte da Sesma. “Nós temos que encontrar uma saída para essa situação”, ressalta.

De acordo com Gouvea, logo após o incêndio no PSM da 14, a Prefeitura apresentou um plano emergencial para desafogar o PSM do Guamá e reaparelhar 12 unidades de saúde da capital que deveriam receber os atendimentos de baixa complexidade.

Entretanto, a falta de estrutura persiste e o PSM continua a receber todos os atendimentos. “Digo com propriedade, depois dos levantamentos que já fizemos, que pelo menos 60% dos pacientes não deveriam estar indo para o PSM do Guamá e, sim, para as unidades de saúde”, afirma.

Outro questionamento do Sindmepa é em relação à utilização do Hospital Samaritano, localizado no bairro do Marco, onde a Prefeitura anunciou que seriam liberados 28 leitos para atender pacientes que precisam passar por cirurgias mais simples. “A Prefeitura disse que começaria o atendimento no Samaritano no dia 1º [de julho], depois passou para o dia 8 e agora já não falam mais nada. O atendimento ia melhorar muito se isso fosse feito logo”, ressalta.

A reportagem do DIÁRIO solicitou nota à Sesma para esclarecer a situação. Até o fechamento desta edição não houve retorno.

(Diário do Pará)

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