Há cerca de duas semanas, o senador Jader Barbalho (PMDB) enviou um ofício ao Ministério de Minas Energia (MME) e à presidência da Eletrobras/Eletronorte, reclamando da ausência do Pará nos novos projetos de energia solar do Governo Federal. Em seu texto, Jader destacava: “Há uma aspiração muito forte da comunidade técnico-científica do Pará, da qual me faço porta-voz, no sentido de que sejam autorizados pelo MME, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estudos específicos para o aproveitamento eólico, PCHs e solar fotovoltaico no Pará”.
A solicitação do senador foi motivada pelo fato de que, na primeira licitação para a compra dos painéis de energia solar, foram incluídas as hidrelétricas de Sobradinho, na Bahia, e Balbina, no Amazonas, mas deixou de fora o Lago Tucuruí, no Pará. A ação de Jader tem como objetivo incluir o Estado na lista dos alcançados pelo projeto do Governo Federal. E a atitude do senador paraense já surtiu os primeiros efeitos. Na última quinta-feira (22), o presidente da Eletronorte, Tito Cardoso de Oliveira Neto, enviou ofício a Jader Barbalho, explicando, com base em dados do MME, que a escolha de Sobradinho e Balbina se deu porque as duas usinas permitem estudos comparativos na fase de elaboração de protótipos e testes experimentais, mas afirmou que, tão logo os testes sejam concluídos, Tucuruí será contemplada com o projeto, não mais como experimento, mas de forma definitiva.
PRIORITÁRIA
Tito Cardoso destacou, ainda, que o lago da Usina Hidrelétrica de Tucuruí “está selecionado e será contemplado de forma prioritária” no projeto de captação de energia solar, a partir dos grandes reservatórios de usinas hidrelétricas do País. O senador considera esse primeiro passo uma vitória, mas destacou: “Não podemos abrir mão da nossa condição de grande gerador de energia”.
O projeto prevê a instalação de boias com painéis solares nos espelhos d’água das usinas para geração de energia, solução barata e ecologicamente correta, que vem sendo festejada por grupos ambientalistas. Estudos preliminares do MME estimam que o uso dos flutuadores solares pode acrescentar ao sistema elétrico nacional até 15 mil megawatts (MW) de potência, volume superior à capacidade máxima da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que será a maior geradora de energia 100% nacional.
TUCURUÍ
No ofício enviado à Eletrobras e ao MME, o senador destacou o fato de Tucuruí ser, hoje, a maior hidrelétrica genuinamente brasileira, com espelho d’água de 2,4 mil quilômetros quadrados de extensão. “Pela sua dimensão e pelo fato de estar localizado na faixa equatorial, onde ocorre intenso brilho solar na maior parte do ano, o lago de Tucuruí se encaixa à perfeição dentro dos objetivos do projeto”, escreveu Jader Barbalho.
Ele destacou, ainda, que lhe causou estranheza a exclusão de Tucuruí do projeto. Especialmente, pelo fato de o Pará já ter experiência na área de produção de energia eólica, em estudos como o realizado no município de Salvaterra, no arquipélago do Marajó. Outro argumento favorável ao Pará foi a existência, em Belém, de um centro tecnológico apto a dar suporte técnico-científico às equipes envolvidas nos trabalhos de campo. Além disso, Tucuruí está interligada ao sistema nacional de transmissão, o que significa que a energia gerada pela usina paraense beneficia, não apenas os consumidores do Estado, mas também de todo o Brasil.
Mudanças podem reduzir valor da conta.
(Diário do Pará)
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