Buracos ao longo do asfalto, lama, mato e esgoto a céu aberto. Essa é a realidade enfrentada por quem mora no conjunto Jardim Amazônia I, no bairro de Águas Brancas, em Ananindeua. A falta de pavimentação e saneamento tem tirado o sono da população, que há anos não recebe respostas do poder público municipal, que constantemente é acionado, mas ignora o problema.
Há 17 anos, o laqueador de móveis Rosival Caldas, de 37 anos, mora na passagem H, da rua Coimbra I, a principal do conjunto e a mais abandonada. Ao avistar a reportagem na via, o morador parou o seu carro e acenou para denunciar a situação. “Estamos vivendo sem nenhuma dignidade aqui. O problema é caótico e totalmente ignorado pela prefeitura, que sabe o que acontece”.
O morador comenta que a população tem feito sua parte, já que não tem resposta há tempos. “Os buracos estão melhores, pois o povo coloca aterro regularmente”, apontou Rosival. “Limpamos nossas portas, para o lixo não entupir o esgoto, mas não é o suficiente”, completa, revoltado. Entre as passagens H e I, uma placa escrita à mão pede para o lixo não ser jogado na rua, pois em poucos metros está um esgoto a céu aberto, e sem nenhum aviso oficial alertando os riscos para os veículos e pedestres.
O estado da via já não permite que as crianças brinquem na porta de suas casas. A doméstica Nathália Dias, 27, evita que seus dois filhos fiquem na calçada, com medo deles contraírem doenças. “Aqui tem mosquitos e ratos. Tenho medo que eles se contaminem”, diz. Seu filho de 8 anos contraiu dengue mês passado. “Tem muito mato e água parada. Ninguém fica mais na rua”.
A atendente de balcão Valéria Almeida, 21, trabalha em uma panificadora da rua Coimbra I. Ela reclama: as poças de chuva na frente do comércio afastam os clientes. “Está piorando. Os buracos aumentam, as pessoas se afastam, e o movimento cai”.
PROJETO PARADO
O presidente da Associação Comunitária dos Moradores do Conjunto Jardim Amazônia I, João Batista Barbosa, 39 anos, afirma que a cada dia fica mais difícil viver na comunidade. “Hoje não temos saneamento básico. Quando chove, fica bem pior. O conjunto vai pro fundo. Ninguém passa”, contou. Ele relata que os veículos ficam impossibilitados de trafegar, além dos pedestres.
De acordo com o presidente, existe um projeto de drenagem, que está com o dinheiro retido na Caixa Econômica Federal, devido ao desinteresse do município. “É só promessa, todo ano vai vir, e nunca vem”, ponderou.
O DIÁRIO entrou em contato com a assessoria de imprensa da Sesan Ananindeua para comentar os problemas. Porém, não teve resposta até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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