Lixões e aterros controlados são o principal destino de 6.944 toneladas de lixo produzidas por dia pela população do Pará. Deste total, 5.303 toneladas são recolhidas diariamente e 72,3% de tudo o que se recolhe é jogado em lixões ou nos chamados “aterros controlados” que na verdade não se diferenciam muito de um lixão, já que não possuem um conjunto de sistemas necessários para proteção do meio ambiente e da saúde pública.
A pior realidade é a destinação incerta de 1.641 toneladas de lixo diárias. Como não são recolhidas, são jogadas em córregos, estradas, lotes vagos ou mesmo deixadas a esmo nas esquinas das 144 cidades paraenses.
Esses dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), que divulgou o estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil de 2014, fazendo uma comparação com a situação do lixo em todo o país em relação a 2013. O que mudou no Pará? O estudo mostra que o “avanço” no Pará foi de 0,2%. Em 2013, 1.426 toneladas/dia (27,5% do total) eram destinadas a aterros sanitários no Pará. Em 2014, eram 27,7%, ou 1.469 toneladas/dia.
O estudo mostra que a vigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), ainda não foi suficiente para mudar a cultura de produção e gestão do lixo no Brasil. A PNRS estabelece o fim dos lixões. No entanto, de acordo com a pesquisa, 3.334 dos 5.570 municípios brasileiros ainda mantêm este tipo de estrutura. A maioria são cidades pequenas e médias. O documento mostra que, entre 2010 e 2014, período em que a política começou a ser aplicada, a geração de lixo cresceu 10,36%.
Nos 450 municípios dos sete Estados da região Norte, foram geradas, em 2014, 15.413 toneladas/dia de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), das quais 80,8% foram coletadas. A comparação entre os dados referentes à destinação adequada de RSU apresentou discreta melhoria de 2013 para 2014 na região. Dos resíduos coletados na região, 64,5%, correspondentes a 8.041 toneladas diárias, ainda são destinados para lixões e aterros controlados.
Os municípios da região Norte aplicaram em 2014, em média, R$ 3,29 por habitante/mês nos serviços de coleta de RSU e R$ 5,03 por habitante/mês na prestação dos demais serviços de limpeza urbana. Estes valores somados totalizam uma média mensal de R$ 8,32 por habitante para a realização dos serviços relacionados com a limpeza urbana.
EMPREGOS
A quantidade de empregos diretos gerados pelo setor de limpeza urbana nos municípios da região Norte em 2014 foi de 25.306 postos de trabalho. O mercado de serviços de limpeza urbana da região movimentou R$ 1,9 bilhão, registrando um expressivo crescimento de 12,6% em relação a 2013.
Para o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, Carlos Silva Filho, a edição da Política Nacional de Resíduos Sólidos não conseguiu avançar no Brasil. “A gente percebe que isso ainda não está em curso. Nós ainda estamos em linha de crescimento de geração (de lixo)”.
Entre os entraves para o funcionamento da PNRS, Carlos Filho aponta falta de vontade política dos gestores municipais, pouca capacidade técnica para viabilização da solução adequada e recursos. “Não adianta dar mais prazo, não adianta estender a lei. O que precisa é conjugar esses três fatores e colocar isso em prática. Do contrário, vamos continuar sofrendo com uma gestão inadequada”.
DADOS NACIONAIS
O estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil mostra que, em 2013, 41,7% do lixo era depositado em locais considerados inadequados (lixões e aterros controlados). Em 2014, essa parcela foi de 41,6% , uma redução de apenas 0,1 ponto percentual.
Os números mostram que cada brasileiro produziu, em média, 1,062 kg de resíduos sólidos por dia no ano passado. Ao longo do ano, foram 387,63 kg de lixo per capita, aumento de 2% em relação a 2013.
Ao todo, foram produzidos 78,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos no Brasil durante o ano de 2014.
Na avaliação por Estado, Brasília lidera com mais de 1,5 kg/dia per capita, seguida por São Paulo e Rio de Janeiro, empatados em cerca de 1,2 kg/dia.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar