Os escombros dos casarões históricos atingidos por um incêndio, na última quinta-feira, começaram a ser retirados no início da tarde de ontem. Parte do entulho será levada para a Universidade Federal do Pará (UFPA). Profissionais do curso de Arquitetura e Urbanismo farão uma triagem do material para uma futura exposição, embora os técnicos não saibam ainda como este material será exposto.
Uma equipe do Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (Lacore), da UFPA, acompanha o serviço. Conforme a professora Thais Sanjad, de 40 anos, responsável pelo trabalho, na universidade serão separados os materiais fragmentados dos que estão em bom estado.
A retirada é feita pela Defesa Civil Municipal, em parceria com a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), após uma avaliação realizada pelo Corpo de Bombeiros, que decidiu por fazer pequenas demolições para evitar mais desabamentos, como o ocorrido no último sábado, quando parte de um dos casarões foi ao chão. Estas demolições ocorrerão após a retiradas dos escombros.
Desde o dia do incêndio, o trecho da rua Santo Antônio, com as ruas Padre Prudêncio, Leão XIII e Gaspar Viana permanece isolado. “Quando houver uma maior retirada de entulho, já poderemos tirar o tapume e liberar a circulação dos pedestres”, disse Maria do Rosário Sá Ribeiro, coordenadora da Defesa Civil Municipal. Segundo Rosário, foi combinado com os lojistas que, até o final deste mês, a área será liberada. “A desobstrução será gradativa, conforme forem retirados os entulhos”, apontou.
ORIENTAÇÃO
Sobre a movimentação no comércio de Belém, a orientação dos bombeiros e da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) é para que tanto pedestres quanto motoristas evitem trafegar no entorno da área atingida pelo fogo. Em função da interdição do trecho, alguns pontos comerciais estão sem abrir as portas.
O comerciante Mário Lima, de 56 anos, é uma das pessoas que está sem trabalhar. “Eu até temia que algo assim acontecesse em uma dessas casas antigas, mas nunca imaginei que atrapalharia o meu trabalho”, lamenta. Mário tem uma loja de calçados, na rua Santo Antônio, que está fechada desde o incêndio. “Meu prejuízo é de quase mil reais por dia”, lamentou.
Além das vendas paradas, eles disse que está perdendo encomendas. “Exportamos peças de bolsas e calçados e essa demanda está parada, um prejuízo alto”, disse. Joseane Santos, 23 anos, trabalha em uma loja de utilidades e teme não receber o salário integral este mês. “Sem vendas o patrão pode quebrar e nós vamos junto”, falou.
O trabalho de retirada dos escombros atraiu muita gente. O aposentado José Antônio Formes, 72 anos, lamenta os prejuízos, sobretudo, para a área cultural . “O que ficou, aos poucos, vem se acabando. Falta manutenção”.
(Diário do Pará)
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