“Um compromisso é que vamos ter dois hospitais, porque essa região precisa disso, para dar retaguarda para toda essa área”. No vídeo (assista no QR Code ao lado), Simão Jatene está falando do alto de um palanque, em Castanhal, município onde ele nasceu. Depois das suas palavras, a multidão aplaudiu com entusiasmo.
O povo parecia acreditar no que acabara de ouvir. O problema é que a promessa foi feita há cinco anos, em 2010, quando Jatene era candidato ao Governo do Estado e fazia - e dizia - de tudo para conquistar o voto do paraense. Hoje, meia década depois, nenhum hospital foi construído em Castanhal, que dirá dois, como prometeu o atual governador.
E agora, Jatene volta a divulgar na mídia oficial que está investindo na construção de hospitais e na conclusão de grandes obras pelo Estado. No entanto, não fala em números, não menciona o atraso nas obras e omite prazos.
O DIÁRIO resolveu investigar se, desta vez, as palavras de Jatene merecem crédito. A partir deste domingo (2), o jornal publicará uma série de reportagens confrontando as promessas do governador com os fatos. O primeiro setor a ser analisado é um dos mais importantes em qualquer sociedade: saúde. E as notícias não são boas para o povo do Pará.
Recentemente, o governo divulgou um novo pacote de promessas e citou, especificamente, o Hospital Regional de Castanhal, o Hospital Abelardo Santos, de Icoaraci, e a reforma do Hopsital Oncológico Infantil, na capital. O DIÁRIO visitou esses três locais para ver o que, de fato, está sendo feito.
APENAS O LAMAÇAL
Numa de suas recentes declarações, Jatene garantiu que o Hospital Regional de Castanhal está com as “obras a todo vapor” e será entregue em 2017. Essa é uma promessa antiga do governador. Em 2010, ainda como candidato, ele prometeu construir um hospital em Castanhal.
A ideia era criar, na cidade, um polo para atender às demandas de uma população de 1,6 milhão de habitantes dos 49 municípios da região nordeste. Dois anos depois, a obra não tinha sequer um projeto. Mesmo assim, virou mote para uma propaganda do governo, na qual o locutor garantia: “Agora, chegou a vez de Castanhal ganhar seu hospital regional. É mais saúde para a população”.
Apesar da propaganda, a pedra fundamental só foi lançada, com toda a pompa, em junho de 2014, ou seja, quatro anos após Jatene alardear que construiria o prédio.
Mas tudo ficaria ainda pior. Inicialmente, a previsão de inauguração era junho de 2016, mas as obras se arrastaram durante meses, chegando a ficar paralisadas.
Pressionado até mesmo por aliados políticos na região, Jatene determinou a retomada dos trabalhos no mês passado. Agora, promete que o hospital estrá pronto em 2017. Difícil acreditar. O DIÁRIO esteve no local na última quarta-feira (29).
O que se vê é um grande lamaçal, com algumas vigas que servirão de base para a obra. Considerando que já estamos em agosto, seria quase um milagre o hospital ficar pronto em 2017.
“Uma obra desse porte leva, no mínimo, 3 anos para ser finalizada”, diz um engenheiro civil, especialista em construção de centros médicos e que não quis se identificar, temendo represálias do governo. Pelo projeto, o Hospital Regional de Castanhal terá 230 leitos, 40 deles destinados à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Mas o canteiro de obras ainda está na fase inicial.
Na semana passada, em entrevista à imprensa oficial do governo, a secretária adjunta de Saúde, Heloísa Guimarães, informou que as obras de fundação do prédio já estão concluídas. Não é verdade.
Segundo informações dos próprios técnicos que trabalham na obra, ainda faltam 216 estacas (estruturas de fundação) serem instaladas, o que significa um terço do total.
Talvez, já prevendo novo atraso, Jatene não colocou na placa indicativa da obra o prazo de início e previsão de término, contrariando a lei. A placa informa apenas que o hospital vai custar R$ 83 milhões e que o trabalho vai consumir 720 dias.
Hospital Abelardo Santos: sem prazo para conclusão
Não é por acaso que Jatene tenta convencer o povo de que está investindo na construção de hospitais. Ele sabe que essa é uma das maiores demandas do paraense.
E ficou ainda mais grave após o incêndio no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti - o PSM da 14 -, o principal hospital de urgência e emergência de Belém. O acidente escancarou de maneira dramática o caos na saúde pública em todo o Estado.
Sem estrutura para atender aos pacientes da cidade, a rede pública de saúde da capital se vê às voltas também com doentes que vêm de outros municípios, especialmente da região nordeste do Estado.
Neste cenário, outra obra que poderia ajudar a minimizar o caos da saúde no Pará é a do Hospital Abelardo Santos, em Icoaraci, outra promessa furada de Jatene. A unidade deveria estar pronta para atendimento em abril deste ano, mas o prazo também não foi cumprido. O Abelardo Santos vai consumir investimentos de
R$ 156,8 milhões. Na placa oficial, a informação é de que o trabalho vai durar 520 dias corridos, mas também não há indicação de início nem previsão de término da obra.
Quando ficar pronto, o prédio terá doze andares, com 250 leitos para atendimentos de média e alta complexidade e 30 para urgência e emergência. O problema é saber quando ficará pronto. Afinal, o governo não dá sequer uma previsão de
conclusão das obras.
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(Diário do Pará)
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