À distância, a cor esverdeada do lago que fica na Praça Dom Pedro II, no bairro da Cidade Velha, já indica a condição de completo abandono. Com a superfície completamente tomada por uma espessa camada de limo, a longa extensão de água parada não apenas provoca náuseas em quem se aproxima, mas também deixa evidente a ameaça de proliferação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, às portas do Palácio Antônio Lemos, sede da Prefeitura Municipal de Belém (PMB).
Recordando as campanhas de conscientização para o combate à doença, feitas pela própria Prefeitura, a funcionária pública Socorro Silva, 55 anos, diz que “ironia” é a única palavra que lhe vem à cabeça para descrever a situação. “O Poder Público é o primeiro a fazer um absurdo desses”. Diante da necessidade de atravessar o espaço localizado no entorno de muitos pontos históricos e turísticos da capital paraense, Socorro evita, ao máximo, se aproximar da água malcheirosa que se mantém estática no lago.
MEDO
Ela conta que percebe a presença de mosquitos no local, já no meio da manhã, e teme que algum deles seja transmissor da dengue. “Se tiver foco aí, quantas pessoas não correm o risco de adoecerem? É um absurdo!”. A enorme quantidade de lixo acumulada nos lagos e em partes do gramado da praça também chamam a atenção.
A aposentada Maria Iêda Andrade, de 70 anos de idade, por exemplo, não deixa de ter forças para manter o quintal de casa sempre limpo e longe de possíveis criadouros de mosquitos da dengue, dedicação que ela também esperava do poder público. “Eles dizem que até uma tampinha de garrafa com água pode ser foco, imagina um lago desse tamanho. Isso é coisa que se faça?”.
(Diário do Pará)
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