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Zenaldo esconde laudo do incêndio no PSM da 14

Concluído no último dia 30 - 35 dias após a tragédia -, o laudo técnico sobre as causas do incêndio no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14) até agora não foi divulgado à imprensa e, consequentemente, à sociedade. Ontem, a Prefeitura de Belém

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Concluído no último dia 30 - 35 dias após a tragédia -, o laudo técnico sobre as causas do incêndio no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti (PSM da 14) até agora não foi divulgado à imprensa e, consequentemente, à sociedade. Ontem, a Prefeitura de Belém entregou apenas uma das 30 páginas que compõem o documento. O laudo foi divulgado não pelo Corpo Militar de Bombeiros (CBM), como era esperado - por ser a Corporação a responsável pela produção do documento -, mas, sim, pelo secretário municipal de Saúde, Sérgio Amorim.

O laudo, assinado por dois peritos, tem 30 páginas, mas apenas a última foi repassada aos jornalistas, durante entrevista coletiva convocada às pressas na manhã de ontem. O titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), apressou-se em eximir a prefeitura de Belém de responsabilidades pela tragédia que causou a morte de três pessoas. Ocorrido no dia 25 de junho, o incêndio no PSM da 14 provocou a morte de 3 pessoas. Por isso, o prefeito Zenaldo Coutinho pode ser condenado por homicídio culposo, já que foi alertado pelo próprio CBM, há mais de 1 ano, a respeito de irregularidades comprovadas no hospital. Um dos problemas destacados pelo CBM era justamente falhas no sistema elétrico, o que teria causado o incêndio.

Em entrevista concedida no dia da tragédia, o próprio Zenaldo afirmou que o incêndio deveria ter sido provocado por um curto-circuito na fiação elétrica. Para não correr o risco de ser acusado de omissão, o prefeito, agora, faz de tudo para ocultar o laudo. Ocorre que, mesmo assim, nada parece ajudar Zenaldo. No trecho divulgado, os peritos afirmam que o incêndio “teve natureza físico-química com falha no funcionamento eletromecânico da central de ar”. O prefeito, muito provavelmente, não se deu conta de que “falha eletromecânica” inclui problemas elétricos, a respeito dos quais ele foi alertado no início do ano passado.

A ideia do prefeito é jogar a culpa sobre a empresa responsável pela manutenção do equipamento de ar-condicionado. “Estamos notificando para que eles nos posicionem se houve a manutenção periódica dessa máquina”, disse o secretário de Saúde. Diferentemente do que sugere o secretário, contudo, apenas a constatação de que o fogo começou na central de ar não será suficiente para eximir Zenaldo Coutinho de ser responsabilizado pelo incêndio, já que laudos anteriores apontavam problemas na parte elétrica.

O promotor Militar Armando Brasil, que conduz Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar irregularidades do caso com o envolvimento do CBM - que estariam colaborando com Zenaldo na produção de um laudo que não revele a verdade -, diz que o caso não está encerrado.

As investigações continuam. E Zenaldo está intimado a prestar depoimento. Como tem foro privilegiado, o prefeito pode escolher dia, hora e local para responder às perguntas do promotor. Até ontem, a intimação não havia sido respondida. Brasil diz que poderá enviar um segundo ofício. O caso será apurado sob segredo de Justiça e os depoimentos não serão divulgados.

Celso Rodrigues

Durante o incêndio no PSM da 14, três pessoas morreram. (Foto: Celso Rodrigues/ Arquivo)

EXPLICAÇÃO

Além do prefeito, serão ouvidos oficiais do CBM, incluindo o comandante-geral, Nahum Fernandes. Eles devem explicar por que o prédio não foi interditado, mesmo com um laudo que indicava riscos de incêndio. “Precisamos ouvir testemunhas, analisar as perícias e é preciso que haja o cotejo do laudo com outras provas”, diz Brasil.

A pedido do DIÁRIO, um engenheiro especialista em sistemas elétricos analisou a única página do laudo divulgada pela equipe de Zenaldo. O profissional pediu para não ser identificado porque atua na área e teme represálias. Ao analisar a conclusão apresentada no documento, o engenheiro afirmou que o conteúdo divulgado pela Prefeitura não esclarece a causa do incêndio. Apenas descreve o evento. “O documento diz que fogo começou na central de ar. Mas o que provocou o acidente? Pode ter sido uma sobrecarga na rede elétrica”, diz.

“Do jeito que o laudo está, é inconclusivo”, destaca o especialista. Segundo ele, era necessário observar, por exemplo, se havia disjuntores de tensão. Esses disjuntores disparam quando há sobrecarga, evitando incêndios. Uma hipótese rara, diz o perito, é que tenha havido uma infiltração com a água chegando aos circuitos, o que também poderia levar ao incêndio.

Ele afirmou, ainda, que, apenas pelo que foi divulgado, é impossível afirmar a causa do incêndio. “É como dizer que um carro pegou fogo, mas não apontar a causa. O laudo não diz nada. Do jeito que está, dificilmente seria usado para responsabilizar alguém”. Talvez, seja essa a intenção de Zenaldo, ao esconder o laudo da imprensa e da sociedade.

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(Diário do Pará)

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