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A história de quem se torna pai por escolha e amor

Há dez anos, o professor de História Antônio Maciel, 39, recebeu um diagnóstico triste, doloroso e que parecia definitivo: não poderia ter filhos. Mas hoje a tristeza e a dor estão confinadas no passado e este domingo será de muitos risos em sua casa no b

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Há dez anos, o professor de História Antônio Maciel, 39, recebeu um diagnóstico triste, doloroso e que parecia definitivo: não poderia ter filhos. Mas hoje a tristeza e a dor estão confinadas no passado e este domingo será de muitos risos em sua casa no bairro do Coqueiro, em Belém. Pela primeira vez, Maciel vai comemorar o Dia dos Pais ao lado da sua filha.

Manuela tem apenas 3 meses e 19 dias (o pai é quem faz as contas) e sua presença já está por todos os cantos da casa. Na garagem, um adesivo no carro da família avisa: “Manuela a bordo”. Na sala, fotos sobre os móveis e, no quarto do casal, os brinquedos não deixam dúvida: o bebê é mesmo o centro de todas as atenções. “Vim de uma família grande. Tenho sete irmãos, sou o caçula e desde que descobri que não poderia ter filhos biológicos, comecei a pensar em adotar”, conta o professor admitindo que, embora pensasse no assunto, vinha adiando a decisão. “A gente sempre fica pensando na responsabilidade de cuidar de uma criança e aí fica esperando estar com a vida toda resolvida para poder adotar e acaba adiando, adiando”.

Embora esperada há muito, a chegada de Manuela não foi planejada. A adoção foi feita quase num impulso. Os pais biológicos não tinham como cuidar da criança e Antônio e a mulher - a estudante de Educação Física Laine - não pensaram duas vezes. Tomaram a decisão que há muito vinham adiando. “A gente sentiu como se fosse Deus agindo para trazê-la para a gente”, diz o pai cheio de emoção. “Minha filha é uma bênção”, desmancha-se.

Assista a reportagem com Antônio Maciel:

Histórias como a do professor mostram que a relação entre pais e filhos vai muito além dos laços biológicos. Envolvem amor e uma boa dose de responsabilidade para cuidar de um novo ser. Homens e mulheres que neste dia dos pais merecem todas as homenagens.

INSTINTO PROTETOR

O Cientista Político e professor universitário José Cauby Soares Monteiro e a mulher, a socióloga Mira, já tinham um filho de 22 anos quando foram literalmente surpreendidos com a chegada de Ana Luíza, hoje com quatro anos. A mãe biológica chegou em um táxi na casa da sogra de Cauby para entregar a menina recém-nascida.

“Embora a gente já tivesse pensado em adoção, nosso primeiro impulso foi proteger a criança que estava em situação de risco. Agimos como qualquer cidadão. Avisamos as autoridades”, conta. Mas o amor falou mais alto. A criança foi deixada com o casal em uma sexta-feira. Três dias depois, Cauby e a mulher deram entrada no pedido legal de adoção. Hoje, conta ele, a adoção se tornou apenas um detalhe na linda história de pai e filha. “À medida que o tempo vai passando é como se a história da adoção fosse de outra pessoa. Mas fazemos questão de que ela saiba. Desde os três anos, falamos do assunto e, quando ela tiver sete anos, daremos mais detalhes. A criança tem direito de saber sua origem. Procuramos fazer tudo sob orientação legal e de psicólogos e grupos de apoio”, conta.

EM ALTA

Embora ainda seja um tema cercado de preconceito, (sobretudo quando envolve os casais denominados GLS) a adoção tem crescido substancialmente no Estado do Pará. Dados do Tribunal de Justiça do Estado mostram que em 2012, o número de processos finalizados aumentou 43% em relação a 2012. Neste ano, até 30 de junho, já haviam sido registradas 423 adoções. Atualmente, só na primeira Vara da Infância e Juventude da capital, Belém, há 163 em andamento.

Mas falar da relação entre pais e filhos adotivos ainda não é uma tarefa simples. Para esta reportagem, muitos casais com filhos adotivos se recusaram a aparecer. “Ainda há sim muito preconceito contra crianças adotadas, o que é de uma crueldade sem tamanho. Falo do assunto porque acho que isso pode ajudar outros casais e também incentivar a adoção. Essa não é uma solução ao problema do abandono de crianças no Brasil, mas pode ajudar muito”, diz Cauby.

O dado que não pode ser esquecido, na realidade, é uma tríade de predicados dos pais adotivos. Primeiro, independentemente de sexo, são pessoas que optaram por serem pais e amam pessoas que não seriam, pelo menos em tese, de um mesmo tronco ancestral. Isso é inovador e corajoso. Em segundo lugar, enfrentam preconceitos e os superam, na medida em que adotar crianças ainda não é uma rotina para a maioria dos brasileiros. Por fim, oferecem um lar a crianças que normalmente seriam criadas em orfanatos, longe do calor humano de uma família. Longe do amor.

(Diário do Pará)

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