Atualmente, cerca de 18 pacientes são operados diariamente no Pronto-Socorro Humberto Maradei, no Guamá. Durante fiscalização ao PSM do Guamá, realizada no última dia 14 de julho, membros do Conselho Regional de Enfermagem do Pará (Coren-PA) encontraram pelo menos seis pacientes sem a devida assistência. Eles haviam acabado de passar por procedimento cirúrgico e estavam deitados em macas, pelos corredores do hospital, já que no local não há uma sala de recuperação pós-anestésica.
Antes do incêndio ocorrido no PSM da 14 de Março, no dia 25 de junho, o número não ultrapassava a média de seis cirurgias por dia. Devido à tragédia, o hospital passou a receber o triplo de enfermos. O cenário é tão alarmante, que há casos até de troca de medicamentos, em virtude da dificuldade de identificação durante a assistência dos doentes, o que pode levar à morte dos pacientes. Essas são apenas algumas das situações mais graves apontadas no relatório elaborado pelo Coren.
Uma comissão do conselho, formada pelo presidente da entidade, Mário Antônio Moraes, a procuradora geral Isis Gomes, e pela conselheira Danielle Rocha esteve ontem, às 17h, na sede do Ministério Público Federal (MPF), onde o relatório foi protocolado. Os membros do conselho foram recebidos pela procuradora da República, Nayana Fadul, em substituição à procuradora Melina Tostes.
FILA DE ESPERA
O relatório mostrou que o hospital possuía apenas uma sala de cirurgia, mas com os pacientes vindos da 14 de Março outra sala precisou ser reequipada para atender à demanda. Além disso, o presidente do Coren, Mário Moraes, destaca: “se o doente tiver alguma complicação pós-cirúrgica, a sala de cirurgia tem de parar por não haver a retaguarda de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no hospital”. Ou seja, o próximo que precisar ser operado vai ter de esperar a desocupação da sala.
E os relatos de problemas continuam. Antes do episódio, a sala de acolhimento que existe na entrada do hospital era monitorada por um médico e um enfermeiro que acolhiam os pacientes em processo de urgência e emergência, mas foi transformada em um consultório. Assim, o acolhimento, importante para receber os doentes, já não existe mais. E nem hidratação há, já que o espaço para isso virou um local de internação.
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(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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