“Eleição limpa” foi a primeira das 12.045 manchetes principais que o DIÁRIO publicou nesses 33 anos de existência. A chamada já revelava o nascimento de um jornal sob o signo da luta em duas frentes: a política, comprometida com a redemocratização do país; e a jornalística, em busca de inovação constante na forma e no conteúdo.Era uma segunda-feira de 1982 o dia em que o primeiro exemplar do DIÁRIO DO PARÁ circulou nas ruas de Belém.
Especialistas da época previam que, após a campanha para o Governo do Estado, que elegeu Jader Barbalho, em 1982, o DIÁRIO desapareceria. Quebrando todas as previsões negativas, o jornal manteve-se firme ao compromisso do primeiro editorial: “Chegamos para ficar. E para lutar. E para vencer. Sempre com o povo, pelo povo e para o povo”.Ninguém apostava que aquele panfleto, que funcionava como um instrumento do PMDB contra a Ditadura e pela campanha de Jader ao governo, se tornaria um dos mais importantes jornais do País e líder de mercado no Pará. Primeiro, uma edição experimental do DIÁRIO circulou nas ruas no dia 17 de agosto.
MODELO
Esse “número zero”, serviu a ajustes necessários e definição de um modelo que durou dois anos. A edição que marca a data oficial de aniversário chegou à casa dos paraenses cinco dias depois. Trazia uma entrevista do desembargador Nelson Amorim, então presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ao repórter Francisco Alencar.José Maria Vasconcelos da Costa, o “Vasco”, 62 anos, outro pioneiro da época do surgimento do DIÁRIO, era fotógrafo de fotolito para clichê e assistiu a esse nascimento do jornal. “Lembro que o primeiro jornal rodado antes do dia 22 de agosto foi feito só para os funcionários. Puderam ver os erros e acertos, como se fosse uma prova. Depois, dia 22 de agosto de 1982, saiu a primeira edição, fechada às 4h da manhã”, recorda.
O hoje paginador Júlio Brasília lembra da correria para fechar o jornal na edição experimental. “Era um grande teste, para ver erros e acertos da equipe, para colocarmos na rua a primeira edição sem falhas”. Ele lembra bem que tinha uma janela na paginação. Quando deu por si, o dia já estava clareando e as máquinas já estavam rodando a primeira edição do DIÁRIO DO PARÁ.
Uma história de heroísmo e avanços constantes
Os equipamentos ultrapassados dos primeiros tempos davam um tom de heroísmo ao trabalho dos funcionários do parque gráfico dos primórdios do DIÁRIO: eles trabalhavam em dobro para fazer o trabalho com a qualidade exigida pelo público. As máquinas de linotipo vieram de São Paulo e o método de impressão a quente - o chamado “chumbão” - funcionou durante 17 meses. Assim foram feitas 418 edições do jornal, até 1984.
O DIÁRIO depois foi pioneiro em vários outros sistemas de impressão no Estado, que aceleraram processos e modernizaram o mercado paraense. Enquanto isso, o posicionamento firme a favor dos interesses do cidadão, da democracia e da informação a serviço do público seguiu conquistando mais leitores.Uma das testemunhas do nascimento dio DIÁRIO é o paginador Júlio Brasília, 54. Ele trabalhava como desenhista em 1982 quando ouviu um anúncio no rádio convocando pessoas pra trabalhar em um jornal, na Mundurucus com a Tupinambás. “Vi uma fila enorme de pessoas com currículo na mão. As vagas para redação já estavam preenchidas e então falei que queria trabalhar em qualquer coisa, já que eu estava desempregado na época. Me colocaram na oficina do jornal, na gráfica”, relembra.
Mais tarde, Júlio foi deslocado para o jornal, no mesmo prédio. “O jornal naquele tempo era rodado numa rotativa antiga, com chapas de nylon print. Foi quando me colocaram na fotomecânica pra retocar fotolitos. Com o tempo passamos para o chumbo. Eu trabalhava na tituleira, fazendo os títulos do jornal no chumbo, e na paginação. As matérias eram digitadas pelos linotipistas e as fotos eram em clichê”, lembra.Quando Jader ganhou a eleição para governador, a redação saiu da rua dos Mundurucus e foi transferida para outro prédio, na rua Gaspar Viana. “Lá eu trabalhava na paginação de cola. Recebia o diagrama da redação das mãos dos diagramadores, riscava o que eles traçavam no papel para o meu outro diagrama e montava as matérias, que eram digitadas nas máquinas IBM. Quando terminava, vazava as fotos com o estilete no diagrama e mandava para a fotomecânica fotografar a página com as fotos. Em seguida, as chapas eram queimadas no fotolito para imprimir o jornal”, conta.
Com o tempo Júlio passou para a redação, se tornando diagramador, na função de paginador - cargo que ocupa até hoje. Júlio trabalhou na primeira fase do jornal de 1982 até 1997, quando saiu da empresa, retornando em 2007, totalizando 23 anos de casa. De seu ponto de vista privilegiado pela história das últimas três décadas, segue vendo o jornal se transformar.
(Luiz Flavio/Diário do Pará)
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