Edson Brito, 30 anos, se inclina na direção do pai, Terencio de Jesus Brito, 65, e chora ao vê-lo respirar com dificuldades, por ajuda de aparelhos. Do lado de fora do Pronto-Socorro Municipal do Guamá, o idoso aguardava a ambulância da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) transferi-lo para o Pronto-Socorro da 14 de Março.
Segundo a filha, Edna Brito, 42, Terencio deu entrada no PSM do Guamá por três vezes, nos dias 1, 9 e 17 de setembro. Mesmo com fortes dores no abdômen, foi liberado nos dois primeiros atendimentos. A família relata que a situação só piorou. Ele não se alimenta e vomita constantemente. “Só diziam que tinha que procurar um posto de saúde. O quadro complicou para infecção renal. Chegamos aqui ontem (quarta-feira), às 10h. Com ele desse jeito estão nos mandando para o PSM da 14”, conta Edna.
No último dia 10, o DIÁRIO teve acesso às dependências do PSM da 14 e confirmou as denúncias de enfermarias lotadas, pacientes pelos corredores, fiações elétricas expostas, infiltrações, janelas quebradas e precário atendimento. No mesmo dia, o vereador e integrante da comissão de saúde da Câmara Municipal de Belém (CMB), Francisco Almeida, conhecido como Dr. Chiquinho (PSol), se reuniu com a diretora do PSM, Orliuda Bezerra, para pedir, em critério de urgência, melhorias no local.
De acordo com ele, Orliuda prometeu que em uma semana mandaria fazer os reparos básicos de trocas de lâmpadas queimadas, vidros e torneiras quebradas e reposição dos materiais de expediente. Ontem, o vereador retornou ao hospital para confirmar se a promessa havia sido cumprida, mas constatou que nada foi feito. Chiquinho pedirá intervenção do Ministério Público do Estado (MPE) e cobrará soluções do secretário municipal de Saúde, Sérgio de Amorim Figueiredo, e do prefeito da cidade de Belém, Zenaldo Coutinho.
Ao tentar entrar no local, o representante da comissão da saúde foi barrado, junto com a equipe que o assessora. “Como médico e vereador eu tenho o direito de entrar”, reclamou. Depois de argumentar com a direção, o vereador conseguiu ter acesso às dependências do hospital e concluiu: “Estou impressionado com o descaso. Ela (diretora do PSM) disse que ia corrigir as dificuldades e apenas tentou mascarar”.O vereador detalhou que, ao percorrer os corredores, viu os pacientes amontoados no chão e rapidamente serem colocados em macas improvisadas. “Só maquiagem”, diz. Ele ainda relata que Orliuda se negou a visitar o hospital junto com ele.
DESABAFO
Enquanto isso, o peixeiro Raimundo da Conceição, 42, desabafa: “Só tem saúde nesse Estado quem tem dinheiro”. Com a mãe de 75 anos deitada em uma maca no corredor, Raimundo não vê a hora dela se recuperar de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e voltar para casa. “Foi a primeira vez que precisei desse hospital. Que seja a primeira e última”, enfatiza. Raimundo reclama não só das condições estruturais, mas também da reduzida equipe de médicos para atender os pacientes. “É um médico para 20 estagiários. Os médicos ficam perdidos aí dentro e vão passando qualquer coisa pros pacientes”, diz Raimundo. A Sesma não se manifestou até o fechamento desta edição.
(Renata Paes/Diário do Pará)
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