A sociedade brasileira arca com um custo de aproximadamente R$ 40 bilhões com os acidentes de trânsito que ocorrem em todas as rodovias brasileiras. Somente no ano passado, mais de oito mil pessoas perderam a vida e cerca de 100 mil ficaram feridos em 169 mil acidentes registrados nas estradas federais brasileiras. No Pará foram 3.226 acidentes nos 4.708 quilômetros de rodovias, envolvendo 195 vítimas fatais. Os dados estão no relatório Acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O trecho da BR-316 (quilômetros 0 a 10) no município de Ananindeua foi onde ocorreu o maior número de acidentes entre as vias federais no Pará. Foram ao todo 922 acidentes sendo 74 graves, vitimando mortalmente sete pessoas. Este trecho aparece em 6ª lugar no ranking dos mais críticos, de acordo com o número de acidentes graves. Nos últimos dez anos, o Brasil registrou aumento de 50,3% no número acidentes em BRs. As mortes cresceram 34,5% e a quantidade de feridos, 50%. O estudo mostra que os acidentes registrados pela PRF em 2014 tem com fortes impactos sobre o orçamento público e a renda das famílias atingidas.
A análise mostra que, no ano passado ocorreram, em média, 463 acidentes por dia, envolvendo 301 mil veículos e 23 mortos. Cerca de 67% dos acidentes com vítima fatal ocorreram em zonas rurais e 32% tiveram como causa a desatenção do motorista. Minas Gerais apresentou o maior número de acidentes e mortos. Foram 21,8 mil, enquanto o estado do Amazonas registrou o menor, com 168. Focando os dois principais tipos de acidente que geram mais óbitos, o levantamento mostra o perfil dessas ocorrências: 89,71% das colisões frontais ocorreram em pistas simples, ocasionando 93,91% dos mortos nesse tipo de acidente; e 71,73% dos atropelamentos de pessoas ocorreram em trechos urbanos, ocasionando 58,47% dos mortos. O período de plena noite concentrou 63,12% das mortes por esse tipo de acidente.
Com relação à principal causa dos acidentes registrados pela PRF, a falta de atenção se destaca, com 32,6% dos casos, e no caso dos acidentes com mortes, 20,3%. Velocidade incompatível (13,1%), ultrapassagem indevida (7,8%) e ingestão de álcool (6,5%) também são causas muito frequentes nas estatísticas mortais. Os acidentes nas rodovias envolvendo motocicletas são proporcionalmente mais letais. Eles respondem por cerca de 18% do total, mas em termos de mortes, respondem por 30% do total e 40% de todas as lesões graves.
SAÚDE
Os cerca de 170 mil acidentes de trânsito ocorridos nas rodovias federais brasileiras em 2014 geraram um custo para a sociedade de R$ 12,3 bilhões. Destes, 64,7% estavam associados às vítimas dos acidentes, como cuidados com a saúde e perda de produção devido às lesões ou morte, e 34,7% aos veículos, como danos materiais e perda de cargas, além dos procedimentos de remoção dos veículos acidentados.
(Luiza Mello/Diário do Pará)
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