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Porto de Vila do Conde completa 30 anos

Dos 51 anos de Hamilton Martins, 27 são dedicados à profissão. Nascido no município de Abaetetuba, ele se mudou ainda jovem para Vila do Conde, em Barcarena, para trabalhar conferindo cargas de navios que saíam e chegavam ao porto local. De lá pra cá, aqu

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Dos 51 anos de Hamilton Martins, 27 são dedicados à profissão. Nascido no município de Abaetetuba, ele se mudou ainda jovem para Vila do Conde, em Barcarena, para trabalhar conferindo cargas de navios que saíam e chegavam ao porto local. De lá pra cá, aquele rapaz que pouco entendia da rotina do trabalho teve oportunidades de se especializar, fez concurso e hoje faz parte das centenas de trabalhadores que atuam no porto. Mas seu Hamilton queria mais. E logo enxergou outra chance de aumentar a renda familiar e ajudar os colegas que passam a maior parte do dia no porto. Além de conferente, Hamilton é, agora, microempresário.

Há 4 anos, ele abriu um pequeno restaurante em frente à Praia do Conde. Com 6 funcionários, o estabelecimento serve café, almoço e jantar. A maior parte da clientela é de trabalhadores de empresas locais. “Percebi que tinham apenas três restaurantes que serviam o pessoal, e resolvi entrar no setor”, lembra. “Gosto muito de trabalhar no porto. Aquilo é a minha vida. Mas o serviço no restaurante também é muito legal”.

Seu Hamilton é um dos muitos trabalhadores e moradores da região que têm suas vidas ligadas ao porto e à Vila do Conde. Gente que está sofrendo as consequências do acidente ocorrido há 20 dias, quando um navio naufragou, com cerca de 5 mil bois. O episódio poluiu as praias e igarapés da região, prejudicando o trabalho dos funcionários do porto e das famílias de pescadores. Mesmo com a ajuda que tem recebido da Companhia Docas do Pará (CDP) e do Ministério dos Portos - que conseguiram recursos para doar cestas básicas e um salário mínimo por mês às famílias -, a comunidade do lugar ainda terá de esperar algum tempo para que a vida volte ao normal. Mas o povo mantém o amor e a gratidão pelo porto e pela região.

Com esforço e dedicação, muitos deles viram ali não somente uma fonte de renda, mas, sobretudo, oportunidades de crescer profissionalmente e melhorar de vida. “Foi graças ao conhecimento que adquiri aqui, que consegui subir na minha carreira, formar minha família e educar meus três filhos”, conta, orgulhoso, o analista portuário Gilberto Farias, 57. “Tudo o que tenho eu devo à CDP. A empresa é a minha segunda família”. O técnico portuário João de Deus Pereira, 63, compartilha da mesma gratidão. Gaúcho, ele foi trabalhar na construção do porto e nunca mais foi embora. Na região, construiu família e, mesmo aposentado há 5 anos, não consegue ficar sem trabalhar. “Todos nós passamos por momentos difíceis, em todo lugar. Vamos superar esse atual momento. Aqui, tive oportunidade de fazer cursos profissionalizantes e dar o sustento para os meus filhos”.

FATURAMENTO

Em meio a um dos maiores acidentes por que já passou, a comunidade de Vila do Conde comemora as três décadas de existência do porto. Ontem (24), fez exatamente 30 anos da inauguração do porto, em Barcarena. Ele foi inaugurado pela CDP, à margem direita do rio Pará, em frente à baía do Marajó. Na região, está implantado um distrito industrial, localizado o complexo de Alumínico e o poloculinífero, empresas que transportam matéria-prima para países da Europa, Ásia e América do Norte.

De acordo com Parsifal Pontes, presidente da CDP, a atividade econômica no porto é muito importante para toda a região, pois o Pará é o segundo produtor de minério do Brasil, perdendo apenas para Minas Gerais. Além disso, influencia a geração de empregos e a balança comercial do Estado. “Exportamos mais do que importamos. Isso nos ajuda a gerar mais empregos”, destaca. Segundo ele, dentre os portos administrados pela CDP - Belém, Miramar, Vila do Conde, Santarém, Altamira, Itaituba, Óbidos, Outeiro e Marabá -, o de Barcarena obteve o maior faturamento, com 70%, enquanto os demais ficaram na casa dos 30%.

(Michelle Danie/Diário do Pará)

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