Há 3 meses sem receber, da Secretaria de Saúde do Estado (Sespa), os cartuchos que armazenam a insulina, agulhas maleáveis e pequenos tubos plásticos, Aline Pantoja Maia, 13 anos, enfrenta dificuldades em dar continuidade ao tratamento da diabetes. Os insumos, que estão em falta, são necessários para o funcionamento da bomba de insulina no corpo.
Sem a bomba, Aline precisa receber injeções três vezes ao dia, método que os médicos não indicam por causar reações adversas na adolescente. Ela sente enjoo, fraqueza e desmaios. Em setembro, ficou internada 16 dias. “Toda a rotina dela é alterada. Teve de parar de estudar. A glicemia(concentração de açúcar no sangue) dela chega a 560, enquanto que de uma pessoa normal é 100”, diz a irmã, Paula Oliveira, 25.
SEM PREVISÃO
Paula relata que, ao procurar a Sespa para saber dos insumos, as respostas são sempre as mesmas. “Eles nos dizem que está em falta, que tiveram problemas com os fornecedores, que não têm previsão de quando os insumos chegarão”, diz Paula. Ela teve de procurar o Ministério Público do Estado (MPE), por 2 vezes, para conseguir, na Justiça, a bomba de insulina e os insumos, doados pela Sespa. A bomba não precisa ser trocada diariamente, como os insumos.
Outro problema enfrentado pela família se refere às consultas com o endocrinologista, no Hospital Barros Barreto. A última consulta de Aline foi em junho, mas não houve continuidade, por falta de médico. “Na última vez, o doutor só pegou os dados dela, e mais nada”, reclama Paula. “Ficaram de ligar pra gente, mas até hoje, nada. Minha irmã e mais 10 pessoas estão nessa situação”.
Paula destaca, ainda, que Aline precisa de acompanhamento para saber como está a evolução da doença, que é do tipo 1, adquirida pela genética. “Só esperamos que, um dia, a Sespa regularize o tratamento da minha irmã”, diz ela. A Sespa e o Barros Barreto foram procurados, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.
(Renata Paes/Diário do Pará)
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