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Clima castigará o Pará com seca e calor

Daqui a 25 anos, a população brasileira vai enfrentar um clima dramático, com calor extremo, falta d’água e de energia, queda na produção agropecuária, doenças e prejuízos causados por ressacas e aumento das marés, entre outras consequências. As informaçõ

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Daqui a 25 anos, a população brasileira vai enfrentar um clima dramático, com calor extremo, falta d’água e de energia, queda na produção agropecuária, doenças e prejuízos causados por ressacas e aumento das marés, entre outras consequências. As informações estão detalhadas no maior estudo já realizado sobre impactos da mudança climática no País. A pesquisa “Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas” foi encomendada pela Secretaria de Estudos Estratégicos da Presidência da República a diversos grupos de pesquisa.

No Pará, as piores consequências serão a redução da vazão das usinas hidrelétricas Tucuruí e Belo Monte, que podem se transformar em gigantescos elefantes brancos plantados na Amazônia; o aumento excessivo da temperatura; aumento no nível das águas do rio Guamá e baia do Guajará; e prejuízos na agricultura. Também se prevê que pequenos cursos d’água e igarapés sequem por completo.

PANORAMAS

O trabalho busca entender como o clima poderá variar no Brasil, usando como cenário os próximos 25, 55 e 85 anos, de forma a embasar políticas públicas de adaptação em cinco grandes áreas: saúde, recursos hídricos, energia, agricultura e infraestrutura (costeira e de transportes). Os cenários para os diversos setores foram construídos a partir de dois modelos climáticos globais.

Usados pelo IPCC - o painel do clima das Nações Unidas - e regionalizados para o Brasil pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), esses modelos apresentam diversos cenários. Em todos eles, as temperaturas médias nos meses mais quentes do ano podem subir até 3º Celsius em relação às médias atuais no Centro-Oeste.

A região Sul tende a ficar mais chuvosa, enquanto o Sudeste, o Centro-Oeste e partes do Norte e Nordeste teriam reduções de chuvas. “Esses modelos são simulações da Terra, em que são incluídas variáveis como vento, oceanos e florestas”, destaca o relatório do Instituto Sócio Ambiental (ISA), ONG que atua em questões sociais e ambientais. Segundo o ISA, os modelos são alimentados com informações, como os dados sobre a taxa de emissões de gases de efeito estufa, o que permite estimar, por exemplo, como o clima vai variar nas próximas décadas.

DESVALORIZAÇÃO

O ISA divulgou um resumo sobre o estudo Brasil -2040. No capítulo dedicado à agricultura, o trabalho alerta para uma tendência de desvalorização das terras, em decorrência das mudanças na produção e aumento do risco climático. Em Pernambuco, as terras podem perder até 43% do seu valor. No Pará, a perda pode ser de até 36%. No Maranhão, as perdas podem variar de 2% a 16%. No Tocantins de 14% a 26%, e de 3% a 14% no Piauí. Um dos cenários aponta valorização das terras na Bahia. Mas esse Estado também pode ter perdas de 5% no valor das suas terras.

(Luiza Mello)

Veja também:

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