Números da Junta Comercial do Pará (Jucepa) mostram que o Estado já possui mais de 100 mil empresas registradas. E, a cada ano, novos empreendimentos vêm sendo abertos. Por mês, esses pedidos de abertura de pessoas jurídicas são de 900, sendo 90% de micro e pequenas empresas. Os números demonstram a vontade dos paraenses em empreender e buscar seus próprios negócios.
Segundo o presidente da Associação Comercial do Pará (ACP), Fábio Lúcio Costa, a orientação inicial para todo empreendedor é procurar ajuda e informações. “Toda ideia precisa ser desenvolvida. Quem quer divulgar e expandir seu negócio deve procurar as entidades de classes”, afirma. Ele diz que a ACP sempre está de portas abertas para prestar informações, assim como o Sebrae, que tem um quadro funcional qualificado para orientação. “Várias outras entidades prestam apoio para aqueles que querem contribuir para seu crescimento profissional”, garante.
Sobre os números de empreendedores na região, Fábio diz que o empreendedorismo é a força motriz do desenvolvimento econômico, não só de nosso Estado, mas de qualquer economia do mundo. “O empreendedorismo traz inovação, oportunidades e competitividade e faz a “roda da Economia girar’”, declara. Entretanto, ele lembra que tudo começa na educação financeira. “A administração de seus recursos financeiros é fundamental, pois para empreender serão necessárias uma reserva e a ampliação desses recursos”, entende. O empresário diz ainda que o negócio do empreendedor depende de entender como administrar seu fluxo de caixa, capital de giro, separar as contas pessoais das contas empresariais, além de evitar gastos desnecessários.
ADVERSIDADES
Para o empresário, advogado e atual presidente do Conselho dos Jovens Empresários da Associação Comercial do Pará (Conjove), Fernando Severino, empreender no Brasil é um grande desafio. “Temos muitas adversidades, como a carga tributária e a burocracia”, afirma. Porém, Severino considera o empreendedor um “sonhador”. “O empresário brasileiro lida com essas questões e ainda consegue gerar emprego e renda para a população”. Ele diz que nenhum país cresce sem empreendedorismo. “Além de agregar valor ao produto, ele valoriza a sociedade local, verticalizando a produção e dinamizando a atividade econômica”, garante Fernando, que é formado pela universidade River Side, na California (EUA), é sócio e diretor da Status Construções e diretor dos shoppings Boulevard e Parque. Atualmente, faz MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Fernando considera que o Pará é um Estado com muitas oportunidades de negócios. “Temos muito o que fazer pelo Estado. Precisamos trazer mais inovação e conhecimento, aproveitando a vasta riqueza que temos”, declara. . “Em vários aspectos, essa riqueza só pode ser retratada na casa do paraense a partir do momento em que agregarmos conhecimentos”, complementa. Uma das vantagens do empreendedorismo paraense, para ele, é o conhecimento local. “Isso é muito importante. Empreendedores de fora sentem mais dificuldades nas questões locais, no contexto da região”, reitera.
FACILIDADE
Para facilitar a abertura de empresas no Estado, será lançado hoje, às 8h, no Hangar Centro de Convenções, o projeto da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), que no Pará se chamará Integrador Pará. A Rede, já implantada em outros Estados brasileiros, possibilita a integração de todos os processos de aberturas, alterações e fechamento de empresas por meio de um sistema disponível online, simplificando procedimentos e reduzindo a burocracia ao mínimo necessário. “Colaborar para a desburocratização é necessário e trará inúmeros benefícios para os empresários, pois vão agilizar processos para que eles dediquem mais tempo ao seu negócio”, ressalta o diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Fabrizio Guaglianone.
O tempo médio para abertura de uma empresa no Brasil é de 85 dias. Com a implantação do projeto, esse tempo deve baixar para, em média, 5 dias para expedição do alvará de funcionamento. Atualmente, para iniciar a abertura de uma empresa, o pretendente é obrigado a reunir documentos diversos para apresentar em cerca de 12 órgãos, como a Jucepa, Secretaria da Fazenda, Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros, secretarias de Meio Ambiente do Estado e do Município, Polícia Civil - DPA,entre outros, dependendo da atividade a ser exercida.
(Fábio Nóvoa/Diário do Pará)
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