Um homem que dirigia um carro de luxo na travessa Tiradentes, esquina com a travessa Quintino Bocaiúva, bairro do Reduto, área nobre da cidade, no meio da tarde da última quarta-feira (9), conseguiu a proeza de sair totalmente ileso de uma tentativa de assalto à mão armada. O ataque foi truculento. Foram pelo menos cinco disparos em direção ao motorista. Não. Não foi um milagre. Foi blindagem. Ao que tudo indica, o nível de insegurança - veja bem que não se fala mais de ‘sensação’ aqui - na capital paraense chegou a tal ponto, que as pessoas estão começando a gastar fábulas -os valores flutuam entre R$ 45 mil a R$ 75 mil para carros em uso e de R$ 150 mil a R$ 500 mil para carros zero - somente para poder circular pelo centro, sem correr o risco de levar um tiro e morrer enquanto dirige.
Funcionária do setor comercial de uma empresa especializada nesse tipo de serviço em Belém, Verena Araújo informa que a taxa de aumento pela procura de blindagem automotiva cresce, ano a ano, em todo o Brasil, cerca de 9% - com variações para cima quando há muita divulgação, por parte da imprensa, de notícias relacionadas à violência urbana. No estabelecimento onde atua, o valor médio cobrado para blindar um carro gira em torno de R$ 55 mil. E, apesar de também haver quem procure o serviço por questões de risco profissional, a maioria busca mesmo é pelo medo da violência na capital. O procedimento é feito em um período que varia de 20 a 30 dias. O tipo de blindagem III-A é hoje o mais mais procurado: garante proteção contra uma série de munições.
Verena lembra que o serviço modifica várias características do veículo. Então, é importante que o futuro usuário de veículo blindado conheça as instalações onde o serviço será feito, além de conferir se a empresa escolhida possui autorizações e documentações necessárias para realizá-lo, bem como garantia de assistência na cidade. “O bom funcionamento da blindagem requer revisões periódicas e manutenções corretivas”, diz.
(Imagem: Diário do Pará)
Nem blindagem consegue afastar o medo dos motoristas
Uma servidora pública de 42 anos, que pede para não ser identificada, anda em um importado estilo hatch, blindado há 1 mês. O motivo do reforço foi uma situação de perigo vivida há 2 meses. Ao sair do trabalho e buscar os filhos na hora do almoço, em um cruzamento na Gentil Bittencourt na esquina com Conselheiro Furtado, ela se viu na iminência de ser abordada por um homem que aparentava estar armado. “Notei que ele estava cruzando no meio dos carros, vindo na minha direção, olhando para mim", conta.
"Então, acelerei e coincidiu de o sinal abrir. Tinha a certeza de que ele ia puxar uma arma”. O marido dela se preocupou com o fato e resolveu mandar o veículo para São Paulo, onde a blindagem foi feita, por R$ 40 mil. A blindagem, no entanto, não dá uma total sensação de segurança à servidora pública. “É uma forma de minimizar enquanto eu estou dentro do carro. Mas, na hora de descer em casa, no trabalho, é uma correria. A gente vive em situação de pânico”.
POLÍTICAS E MEDO
Para a servidora que optou pela blindagem do carro, o Estado peca em ter apenas a prisão de criminosos como solução para a segurança. “Sou da área social e vejo que não há nenhuma política de prevenção para o jovem que cedo começa a vender drogas. Parece que só existe a opção de prender na hora em que ele comete um crime”, critica.
Policial militar reformado, Eledilson Oliveira, 60, não tem um carro blindado por falta de condições financeiras. Porém, ele acredita que a medida é válida para quem pode bancar. “Se o Estado não dá segurança, precisamos recorrer às alternativas. Se tiver dinheiro para preservar a própria vida e a da família, isso [a blindagem] não é um custo. É investimento”, justifica. O PM pondera com seus botões: acha que nunca uma corporação, seja civil ou militar, dará conta de uma segurança total. Porém, reconhece: faltam treinamentos e investimentos nessa área.
O policial diz que segue um protocolo próprio para evitar cair em cenários que favoreçam assaltos: só anda em ruas largas em horário que possa dirigir mais rápido, e sempre na pista do meio, com espaço de fuga. Evita transversais e afunilamentos. “Uma vez, estive três carros atrás de um carro assaltado. Consegui fugir.”
SÓ PARA QUEM PODE
R$ 55 mil é o valor médio da blindagem. A mais barata é a de R$ 45 mil, para veículos tipo Sedan. Para carros tipo SUV e outros modelos de luxo, o custo chega a R$ 75 mil.
- Os valores variam para mais ou menos também de acordo com a customização do veículo solicitada pelos clientes.
20 a 30 dias é o tempo necessário para realização da blindagem.
- O serviço tem diferentes níveis de proteção para uso civil. O nível III-A é hoje o mais solicitado.R$ 150 mil a R$ 500 mil é variação dos custos de blindagens para modelos zero quilômetro.
DICA
- Para a compra de veículos seminovos blindados, o ideal é optar por carros com no máximo cinco anos de uso. Leve o veículo a um especialista para conferir a qualidade da proteção.
(Carolina Menezes/Diário do Pará)
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