Moradores do bairro da Cremação realizaram, hoje (26), a tradicional malhação de Judas. A festa acontece há 66 anos durante o Sábado de Aleluia e consiste em malhar o boneco, até sua destruição total.
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Além de representar Judas Iscariotes, os bonecos simbolizavam personalidades do mundo político, social e artístico.
Tradição
Esse ritual chamado de malhação do Judas chegou ao país junto com a colonização portuguesa. Ela representa o julgamento popular contra Judas Iscariotes, um dos apóstolos que teriam acompanhado Jesus Cristo.
Judas teria traído Jesus e o entregue ao Sinédrio, conselho supremo e representação dos judeus perante os romanos, em troca de dinheiro. Por conta desse episódio relatado no Novo Testamento, as populações seguidoras da fé católica adotaram o ritual de na semana da Paixão de Cristo fazer simbolicamente o julgamento, a condenação e a execução de Judas, o traidor.
Na tradição popular, antes da “execução” dele, é lido o "testamento" de Judas, que escrito em versos é colocado no bolso do boneco e traz sátiras às pessoas e a fatos locais.Assim como várias outras tradições do catolicismo, a malhação do Judas tem sua inspiração, segundo alguns historiadores, em antigos rituais pagãos. Desde séculos antes de Cristo, celebrações no início do cultivo e ao final das colheitas faziam parte de cultos agrários que buscavam garantir bons resultados no campo. Um boneco feito de palha representaria o “deus da plantação” e o fogo seria o sol.
Ao queimar o boneco, acreditava-se estar submetendo o “deus da plantação” ao poder do sol e garantindo com isso a luz e o calor necessários para os cultivos.
Outras versões, como a do professor especialista em folclore brasileiro Ático Vilas-Boas da Mota, em “Queimação de Judas: catarismo, inquisição e Judas no folclore brasileiro”, relacionam a tradição à Inquisição e à perseguição aos judeus na Idade Média. Segundo Mota, os acusados de heresias que conseguiam fugir, escapando do processo inquisitório comandado pela Igreja Católica, eram substituídos por bonecos queimados em praça pública. Para ele, essa consagração do ritual da queima do Judas seria o resultado do poder da Igreja Católica no período inquisitorial para incutir na população ódios e preconceitos, inclusive contra os judeus que representariam todo o mal.
(DOL)
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