Você provavelmente não sabe, mas as realizações do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) estão bem mais presentes no seu dia a dia do que se pode imaginar. Sabe os primeiros estudos sobre epidemias e doenças causadas pelas picadas de mosquitos? Saíram do Goeldi, ainda no início do século 19. Conhece o belo Mangal das Garças e seu borboletário? Também saiu do museu. E o projeto municipal de rearborização de Belém? Feito pelo Goeldi.
Prestes a completar 150 anos de existência - em outubro deste ano -, a instituição dá início a uma grande campanha que visa desde aumentar sua arrecadação orçamentária, para melhorar a infraestrutura e atendimento à população, até conseguir formalizar a criação de uma associação de amigos, ou algo do gênero. Tudo para ajudar a conseguir mais recursos para que o Goeldi continue desenvolvendo ações que impactam diretamente na vida de todos.
REIS E PRESIDENTES
Com um quadro enxuto de pesquisadores - cerca de 70 apenas -, o MPEG vai bem além de ser apenas um parque zoobotânico com espécies raras e admiráveis. “Trata-se de uma instituição orgânica, que interage rapidamente com a sociedade, que percebe espontaneamente suas demandas”, avalia a coordenadora de Comunicação e Extensão do Museu Emílio Goeldi, Maria Emília Sales.
Ela destaca que o Goeldi sempre é descrito como parada obrigatória para quem visita o Estado. “Desde a realeza, presidentes, celebridades, todo mundo quer vir aqui, porque têm a plena noção de que somos um grande centro de conhecimento”, explica. Aproximar o paraense dessa realidade também é um grande mote da campanha, que envolve o ProGoeldi e o Instituto Peabiru.

Um sistema de informações terá catálogo da fauna e flora. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)
AÇÕES
O Goeldi tem uma longa lista de estudos que serviram de apoio à criação de várias políticas públicas, ligadas ao combate ao desmatamento, à restauração florestal, à criação de unidades de conservação, e por aí vai. “E isso tudo no centro da cidade. O Goeldi é um museu que tem um tema, ele carrega uma identidade que o torna impossível de existir em outro lugar que não aqui”, garante Maria Emília.
EDUCAÇÃO
O Museu Emílio Goeldi luta para dar conta de um conhecimento que brota de todos os cantos, sem controle, com a demanda grande para os pesquisadores. “A campanha vai por esse lado. Não é ‘chorar pitangas’. É querer recursos para dar conta do que não para de crescer”, defende Emília. Ela afirma que onde o Goeldi está presente a diferença é sensível. Como exemplo, a diretora cita a Estação Científica de Caxiuanã, em Melgaço, no Marajó, e as ações em escolas de municípios no interior do Estado. “A gente quer fazer a diferença, do ensino fundamental ao pós-doutorado”, diz.
PROJETO VAI DIVULGAR CATÁLOGO DE BIODIVERSIDADE
Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi, Ana Vilacy comemora a busca constante por conhecimento na instituição. “E ainda temos uma lacuna enorme. Imagina identificar e conhecer tudo o que há na Amazônia?”, destaca. Segundo ela, mesmo assim, o Museu dá uma grande contribuição à ciência, com a descoberta e mapeamento de novas espécies. “Só de 2000 a 2014, foram 370 novas espécies na fauna e flora dessa região”, pontua. Ana Vilacy faz questão de adiantar a implementação de um projeto que deverá ocorrer até o fim do primeiro semestre: o Sistema de Informações sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBR), que, por meio de um website, já disponibiliza informações completas sobre 600 mil, dos 4,5 milhões de registros de itens tombados e que representam o meio bioamazônico. A ação é capitaneada pelo Goeldi com envolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). “Agora, o mundo inteiro também vai poder ter esse conhecimento.”
ABRACE A PREGUIÇA
A campanha atual do Goeldi é de financiamento coletivo e se chama ‘Abrace a Preguiça’. Ela funciona com uma página na plataforma online Kickante.
O objetivo é prover a reforma do Preguiçário, lar dos bichos-preguiças e das preguiças-reais no Parque Zoobotânico. O link da campanha entrará no ar em breve, segundo o MPEG.
CURIOSIDADES SOBRE O MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
VISITAS ILUSTRES

O príncipe da Noruega (na esquerda) plantou uma árvore em visita ao museu. (Foto: Lívia Prestes)
O Museu Goeldi não possui livro de assinaturas. Em vez disso, ele oferece a possibilidade de o visitante plantar uma árvore. E lá fica uma plaquinha com o nome de quem plantou. O ex-presidente do Brasil, Getúlio Vargas, e o príncipe herdeiro da Noruega, Haakon Magnus, estão entre os visitantes ilustres que passaram pelo parque e realizaram esse ritual, com direito até a certificado.
ANIMAIS SOLTOS

Cotias passeiam soltas pela área de visitação do parque. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)
Por ano, cerca de 300 mil pessoas visitam os 5,4 hectares do parque. Nele, vivem 1.790 espécimes de animais, tanto em viveiros quanto soltos pelo lugar, além de exemplares de mais de 500 espécies de plantas. Não é incomum passer pelo local e ser surpreendido por uma cotia correndo de um lado para o outro. Ainda circulam por lá 30 preguiças comuns e dois exemplares de preguiça real.
(Carolina Menezes/Diário do Pará)
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