Apenas 500 metros separam os moradores do Condomínio Antônio Danúbio e da comunidade Jerusalém, da rodovia BR-316, em Ananindeua. Diante do espesso lamaçal que toma por inteiro a rua Francisco de Oliveira Nobre, a locomoção de pedestres e veículos até a rodovia, local de acesso a transportes e serviços públicos, faz com que o trajeto se torne uma missão bastante sofrida.
Moradora do Condomínio Antônio Danúbio há quase 3 anos, a agente da Vigilância Sanitária Elaine Luz, 38, conta que viu a situação da rua piorar consideravelmente depois que foram iniciadas as obras de construção de um conjunto do programa Minha Casa, Minha Vida. Em meio aos tratores que circulam na rua todo o tempo, a quantidade de lama acumulada impressiona e torna a passagem de veículos e pedestres quase impossível, já que a via não dispõe de calçada nem acostamento.
Único acesso à comunidade Jerusalém, a rua Francisco Nobre fica a menos de 500 metros da Prefeitura de Ananindeua, situação que indigna ainda mais os moradores do local. “Os pedestres têm de tirar o sapato pra conseguir chegar à BR”, diz Elaine. “Ontem mesmo não consegui sair de casa para ir trabalhar por causa da lama”. Alguns indícios presentes na via deixam claro que a situação da falta de saneamento não é recente. Pelas laterais do lamaçal, o que se vê é o mato alto que impede a passagem de quem segue a pé.
O marceneiro Ataíde Farias, 39, conta que seus dois filhos já estão há uma semana sem comparecer à escola, porque não há como levá-los até o ponto de ônibus. Em dias de chuva intensa, a situação é ainda mais grave. “As pessoas que se arriscam a ir a pé têm de ir com o sapato na sacola e lavar o pé lá na frente”, reclama Ataíde.
MAGUARI
Os problemas de saneamento no município se repetem até mesmo onde já tem asfalto. A situação do Canal Maguari Açu – que corta, entre outras, as ruas do Fio, Itabira e a estrada do Maguari - preocupa os mais atentos aos riscos das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Na movimentada Estrada do Maguari, além da água parada, a presença de uma grande quantidade de mato ao redor do canal e o lixo acumulado chamam a atenção.
Morador do bairro do Paar, em Ananindeua, o estudante Augusto Queiroz, 25, precisa circular de bicicleta com frequência pela Estrada. Ele conta que o canal está nessa situação precária há 3 anos. “Quando chove, o canal transborda e fica quase impossível passar por aqui”, diz. Enquanto o prefeito Pioneiro faz vista grossa aos problemas do povo, os habitantes de Ananindeua seguem sofrendo com o
caos no saneamento.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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