Atendendo a 2 casos confirmados e 5 suspeitos do vírus H1N1, que causa a gripe A, o Abelardo Santos, em Icoaraci, fechou as portas para o atendimento de urgência e emergência aos adultos. Desde segunda-feira (11), quem procura atendimento no hospital, é orientado a ir para outros postos. Somente as crianças estão sendo atendidas na urgência do Abelardo Santos.
A medida, segundo a direção da unidade visa, dentre outros motivos, garantir o isolamento dos pacientes que têm ou podem ter o H1N1, o que ficaria impossibilitado com o hospital superlotado. Na tarde de ontem, funcionários e alguns pacientes que tinham acesso ao setor de internação adulto usavam máscaras, para evitar a contaminação pelo vírus. Os 7 pacientes estão isolados em enfermarias.
Na frente do hospital, a estudante Maria Regina Almeida, 17 anos, reclamava de fortes dores na garganta, que estava inflamada. Sem poder ser atendida no Abelardo Santos, ela foi orientada por servidores a procurar outras emergências, como a da Unidade Municipal de Saúde de Icoaraci. “Disseram que não tem atendimento, que vão ficar com as portas fechadas até segunda ordem”, conta a autônoma Naiane Guimarães que acompanhava Regina, sua prima. Segundo ela, a menina tinha sido atendida na noite anterior. Entretanto, por causa das fortes dores, precisou voltar. A unidade de Icoaraci estava superlotada na tarde de ontem. Em busca de consulta já marcada ou para urgência, os pacientes não tinham onde se acomodar.
RECLAMAÇÕES
A manicure Ana Celma da Silva, 34, acompanhada do seu irmão, Oséias da Silva, 20, sofria com dores e febre na fila de espera por um atendimento de urgência. “No Abelardo fizeram a ficha e me mandaram embora para cá porque não poderiam me atender”, diz. Os pacientes também reclamavam da precária estrutura da unidade. É o caso da professora aposentada Tereza Verônica Carneiro, 71.
Mesmo com dificuldades de locomoção, ela procurou primeiro o Abelardo Santos. Sem sucesso, foi até a unidade, que não tinha material para curativo. Tereza estava com ferimentos nas duas pernas provocados pela má circulação. “Não fizeram o curativo porque não tem material. Minha revolta é com o prefeito (Zenaldo Coutinho). A gente procura essas unidades e se depara com cada situação”, reclama.
HOSPITAL
Em nota, a direção do Abelardo Santos disse que, por causa da limitação de espaço físico na urgência e emergência do hospital, esse atendimento 24h para adulto foi suspenso. Somente a pediatria e maternidade com assistência em neonatologia está funcionando. Segundo a nota, o atendimento de urgência e emergência adulto é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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