Climatização das salas de aula, atividades complementares e refeição adequada. Esse deveria ser o perfil das escolas que adotam o ensino integral. Não é o que acontece na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Temistocles de Araújo, no bairro da Marambaia, em Belém. Nessa unidade, alunos assistem aulas nos corredores porque o calor intenso e a falta de ventiladores não permitem que fiquem dentro das salas. Em 2012, a escola adotou o ensino integral para o ensino médio. Hoje, pela falta de estrutura, cerca de 210 estudantes não desfrutam da proposta de estudar de 7h às 17h.
O transtorno é causado por uma reforma que é realizada a passos lentos há 8 meses. A obras iniciaram em agosto do ano passado e tinha o prazo de 4 meses para ser concluída. Das 22 salas, 16 constam como reformadas. No entanto, têm falhas que impedem que sejam usadas. “Reivindicamos o que foi prometido pela Secretaria de Educação: refeitório, climatização das salas e uma série de situações físicas”, disse o diretor da escola, Jeedir Gomes.
Segundo ele, as condições precárias da unidade têm provocado evasão escolar. O diretor informa que muitos alunos que passaram pelo ensino integral, estão na universidade. Contudo, a realidade hoje é outra. “O programa de escola em tempo integral é bonito, quando funciona devidamente”, acrescenta.
ESFORÇO
Seguir o ano letivo tem sido com muito esforço. Alguns professores levam ventiladores de suas casas para dentro das salas. Outros, optam por lecionar nos corredores da escola porque, quando a sala não está quente, as goteiras impedem a continuação das aulas. Para a professora de língua portuguesa, Danielle Pacheco, os alunos são os maiores prejudicados.
“Eles são preparados para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), mas o conteúdo fica prejudicado”, avalia. Além disso, o ensino integral não está funcionando. Alunos do 2º e 3º anos estão tendo aulas somente pela manhã, enquanto os do 1º ano ficam à tarde porque não há refeição e nem condições estruturais para manter os alunos no ensino integral.
Ainda segundo o diretor, no final do mês passado, um fiscal da Seduc fez uma vistoria da reforma e aprovou o trabalho da empresa terceirizada. Porém, Jeedir recusou-se a assinar o documento. “Não vou aceitar o que foi feito”, reforça. A Seduc foi procurada. Porém, até o fechamento desta edição, não deu retorno.
GOVERNO ATRASA TÉRMINO DE REFORMA
Placa que fica na frente a escola informa que a reforma está orçada em R$ 2,3 milhões pelo Governo do Estado. As obras começaram no dia 10 de agosto do ano passado, com prazo de execução de 120 dias. Para fiscalizar a restauração, uma comissão foi formada por professores, pais de alunos e membros do conselho escolar. De acordo com o diretor Jeedir Gomes, a Seduc deu prazo até o dia 20 de abril para o início das aulas também do ensino fundamental.Isso ainda não ocorreu por falta de acomodaçãopara os estudantes.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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