Desde antes de Cristo, a Bíblia relata a aflição que era uma pessoa contrair a lepra. Os portadores da doença, por muito tempo, foram alvo de discriminação e proibidos de conviver em sociedade. Esta segregação durou até 1980, quando as comunidades de isolamento foram extintas e os pacientes foram reinseridos à comunidade. Já em 1976, a lepra teve seu nome mudado pelo governo brasileiro para hanseníase, com o objetivo de neutralizar o preconceito. Porém, até hoje a enfermidade ainda é um tabu.
ENCONTRO
Encerrou ontem, em Marituba, o 1º Encontro Estadual do MORHAN - Pará (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase). “Estamos abordando os desafios: estigmas, preconceitos e as sequelas da doença”, explicou o coordenador do MORHAN, Edmilson Picanço. A diretora da Unidade de Referência da Hanseníase do Estado, Renata Novaes, diz que, mesmo a enfermidade sendo extinta de alguns países do mundo, no Pará ela ainda é uma realidade e requer atenção.
A unidade atende cerca de 4,5 mil pessoas por mês com o mal, que é curável e só é transmitido por quem não tomou a 1ª dose do medicamento. “A melhor forma de prevenção é ter um diagnóstico precoce. Apareceu mancha na pele sem dor, a pessoa deve procurar um médico”, orientou Renata. Atualmente, todos os postos de saúde oferecem o tratamento.
A LUTA
Aos 9 anos de idade, o aposentado Geraldo Cascais foi diagnosticado com hanseníase. Ele lembra que ficou isolado na ex-colônia de Marituba por mais de 10 anos. Aos 72 anos, Geraldo já não faz o tratamento e apenas cuida das sequelas: mãos atrofiadas, além de ter próteses nas 2 pernas. “Casei, estudei e tenho dos filhos. Vivo em sociedade normalmente”, diz.
(Roberta Paraense/Diário do Pará)
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