A notícia de que as praias do Amor, em Outeiro, e do Cruzeiro, em Icoaraci, estão impróprias para o banho não afastou os banhistas que aproveitaram o calor da manhã de ontem para se refrescar. Um laudo emitido na quarta-feira (6) pelo Departamento de Controle Ambiental (DCA) da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), aponta a presença de bactérias encontradas nas fezes humanas na água.
Porém, nenhum aviso alertava as pessoas para o risco. Vencidos pelo calor característico do mês de julho, banhistas aproveitaram a Praia do Amor desde o início da manhã. Apesar das barracas e restaurantes estarem vazios era possível ver grupos de pessoas tomando banho na água.
Acompanhada do filho Iego, de 1 ano e 5 meses, a dona de casa Adrielle de Nazaré, 17 anos, não hesitava em mergulhar.
PERIGO
“Acho que, se fosse verdade, tudo estaria contaminado porque é a mesma praia, só muda o nome”, disse. A notícia divulgada pela Prefeitura Municipal de Belém aponta que quem descumprir o alerta de não se banhar nas praias poderá contrair doenças como diarreia, vômito, febre tifoide, febre amarela, além de manchas na pele.
A atendente Elizabete Beckmam, 33 anos, também estava ciente de que a Praia do Amor havia sido considerada imprópria para o banho, mas desconfiava da análise, já que não havia ninguém que orientasse as pessoas a não utilizar a praia. “Por que eles vêm divulgar que está imprópria justamente em julho?”, questionou.

Quem foi ao Cruzeiro curtiu o balneário tranquilamente. (Foto: Mauro Ângelo)
“Por que não resolvem o problema ao longo do ano?”
Enquanto as pessoas se bronzeavam na areia ou mergulhavam na água, bueiros abertos podiam ser vistos às margens de um igarapé que desagua na praia. Trabalhando nos balneários de Outeiro há 9 anos, o autônomo Manoel Brito, 56 anos, critica que o alerta só seja feito no período de veraneio. “Eles só vêm aqui nesse período de julho. Por que não resolvem o problema ao longo do ano?”. Para o autônomo, o ideal seria encontrar uma maneira de evitar que a água não tratada fosse despejada diretamente na praia. Até hoje, porém, Manoel não viu
soluçãopara o problema.
“Todo ano, nesse período, dizem a mesma coisa, mas os banhistas estão o tempo todo aí”. Apesar do movimento menos intenso, a Praia do Cruzeiro, em Icoaraci, também foi procurada por banhistas. A dona de casa Silvia Brito, 30 anos, foi até o local com 3 filhos e 2 sobrinhos, mas não fazia ideia de que a praia também havia sido considerada poluída.
“Eu sempre venho aqui e nunca tive problema nenhum. Eu não estava sabendo desse teste”. No local também não foram encontrados avisos sobre a condição de poluição da água. Procurada pelo DIÁRIO, a Semma não se manifestou até o fechamento desta edição.
(Cintia Magno / Diário do Pará)
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