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Clima é de insegurança nas unidades de saúde

O olhar sobressaltado da aposentada Marizete Alcântara, 68 anos, em frente ao Hospital de Clínicas de Ananindeua, na Rua 2 de Junho, demonstrava o quanto se sentia insegura. Mesmo receosa, um dia após o local ter sido invadido por 2 criminosos, ela foi ao

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O olhar sobressaltado da aposentada Marizete Alcântara, 68 anos, em frente ao Hospital de Clínicas de Ananindeua, na Rua 2 de Junho, demonstrava o quanto se sentia insegura. Mesmo receosa, um dia após o local ter sido invadido por 2 criminosos, ela foi ao hospital para uma consulta. Com medo, chamou o sobrinho para acompanhá-la. Porém, a bicicleta que usavam foi roubada do pátio do hospital.

“Estávamos esperando do lado de dentro, reparando a bicicleta. De repente, ela não estava mais lá”, contou. Marizete diz que não se sente segura em lugar nenhum, mas nunca imaginou que seria roubada no hospital. “Não sei o que vou fazer. Só Deus para me defender”, lamentou. No dia seguinte à invasão, os usuários comentavam sobre a ação dos criminosos, que entraram no hospital encapuzados e armados, na madrugada de quinta-feira (14). Os assaltantes levaram os pertences dos pacientes e funcionários. Um dos bandidos foi preso no mesmo dia do assalto.

O cadeirante Paulo Fernandes, 49, que era motorista de ônibus antes de ter diabetes, afirma que no bairro de Águas Brancas, onde fica o hospital, os assaltos são constantes. “Aqui está muito perigoso. A polícia passa pouco. Os bandidos fazem a festa”, reclamou. O clima na manhã de ontem era tenso no hospital. “Acabaram de levar a bicicleta da senhora. Se eu levantasse da minha cadeira de rodas, iam levá-la também”, ironizou Paulo.

A reportagem procurou a direção do hospital, mas não foi recebida. O medo é uma realidade em outras unidades de saúde da Região Metropolitana de Belém (RMB). Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Icuí Guajará, é comum ter ocorrências de roubos de bicicletas, segundo os próprios usuários. “Aqui não pode deixar bicicletas que eles levam. Até quando está no cadeado”, disse o autônomo Rosivaldo Moraes, 34, que ontem, foi ao local retirar os pontos de uma cirurgia.

VIGILÂNCIA

A dona de casa Maria Rodrigues, 49, reclama que, à noite, não há mais vigilantes para fazer a segurança do espaço. “É raro ver policiamento por aqui. A gente não se sente seguro nem na rua nem dentro da UPA”, ressalta Maria, que costuma fazer consultas na UPA.

No posto da Cidade Nova 4, o portão baixo e quebrado, além do mato alto, mostram a falta de atenção com a unidade. Na frente, um segurança fica a postos. Porém, não é suficiente para fazer os usuários se sentirem seguros. “Todo lugar é perigoso em Ananindeua. Por isso, não podemos vacilar com a segurança”, afirmou a dona de casa Isabela Mendonça, 29.

"A gente não se sente seguro nem dentro da UPA", afirmou a dona de casa Maria Rodrigues. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)

CIDADE NOVA

A situação não é diferente na UPA da Cidade Nova. Apesar de ser um local movimentado, os usuários não se sentem seguros. O taxista Sérgio Amaral, 44, que trabalha em um ponto de táxi ao lado da unidade conta que presenciou uma situação inusitada na manhã de sábado (11).

Segundo ele, por volta das 11h, um agente prisional chegou ao local acompanhado de um detento, que havia ido até a unidade em busca de atendimento. Mesmo algemado, o homem teria tentado fugir. “Ele quebrou o portão, por isso está fechado”, diz. Ele acrescentou que um motoqueiro que passava pelo local conseguiu impedir a fuga do preso.

RESPOSTAS

A Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua (Sesau) afirma que a segurança interna das unidades de saúde do Município conta com vigilância privada e com reforço da Guarda Municipal. Afirma também que, nos últimos meses, nenhuma ação de violência foi registrada Nas unidades administradas pela Sesau.

A assessoria da PM, por sua vez, informou que o 6° Batalhão realiza barreiras, bloqueios, abordagens a veículos e pedestres suspeitos na área citada pela reportagem. No caso do Hospital de Clínicas de Ananindeua e em vários outros, “os marginais já foram presos ou reconhecidos”.

(Roberta Paraense/Diário do Pará com Pryscila Soares)

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