Foi-se o tempo em que o modelo de pai era aquele que ficava sentado, de óculos, lendo o jornal do dia. Agora, eles querem se cuidar e mostrar aos filhos que praticam a vida saudável, sendo exemplos para as gerações futuras.
Neste Dia dos Pais, o DIÁRIO traz histórias de paizões que não deixam a rotina do trabalho atrapalhar quando o assunto é cuidar dos filhos e se manter ativo, praticando algum esporte. Afinal, ser esportista ajuda a superar todas as missões do dia a dia. E, se os filhos acompanham o pique, tudo fica ainda melhor.

Carlos e Caio: vários esportes diferentes, numa casa decorada com diversos equipamentos. (Foto: Alberto Bitar)
Quanto mais atividades, melhor
Basta chegar à casa do tecnólogo em prótese odontológica Carlos Victorino, 41, para ver que ficar parado não é com ele. Na sala de estar, ele mantém uma espécie de mural, cheio de instrumentos relacionados aos muitos esportes que pratica sempre que pode: skate, bicicleta, mergulho, caiaque, surf.
Carlos é pai de Caio, um adolescente de 15 anos, que, como todo jovem, é fã dos eletrônicos. Mas ele garante que sua paixão pelas práticas ao ar livre já começam a influenciar o jovem. “Ele topa o skate, já foi ao surf comigo, mas gostou mesmo do caiaque e da bicicleta. Não foi muito para o lado radical, mas curte algumas coisas!”, orgulha-se o pai.
Victorino pratica tantos esportes que possui mais de um grupo de amigos que se reúnem para praticar. “São tantos que nunca tenho como ficar em uma só turma!”, justifica. “Não dá para fazer sempre, mas procuro me organizar para ter alguns fins de semana ou feriados para me dedicar a isso. Agora em julho, por exemplo, deu para fazer bastante”, relata.
O tecnólogo credita sua paixão ao fato de ter nascido aqui, mas se mudado ainda muito pequeno para o Rio de Janeiro, por conta do mestrado da mãe. “Você vê que muitos dos esportes que gosto têm a ver com o mar. Acho que é por causa disso. Tem esporte que pratiquei tanto que enjoei, como a corrida, por exemplo”, relata o pai atleta.
O xodó de Carlos, hoje, é o skate. Os benefícios ele nem sabe numerar, mas faz questão de dizer que aparenta ter bem menos idade. “Pareço um moleque”, diverte-se. “Isso tudo é o bem-estar. É o contato com natureza que traz tudo isso”, explica o paizão.

Ronaldo Lobato passa para o filho e para os netos a disciplina e o prazer da prática esportiva. (Foto: Elcimar Neves)
Ensinamento passado por gerações
Na família do médico ginecologista Ronaldo Lobato, 57 anos, a paixão pela prática de esportes passou do pai para os três filhos e do caçula para os dois netos.
A a bicicleta é algo presente em sua vida desde a infância. “Praticava também o futebol e a corrida, mas, à medida que a idade foi aumentando, as articulações do joelho começaram a reclamar”, explica ele, ao falar sobre sua rotina de esportes.
Ele se orgulha em dizer que acredita ter influenciado os filhos, de certa forma, a praticar um esporte em algum momento da vida. “O Andrey joga vôlei até hoje; a Adrielle a gente ‘chantageava’ quando ela era mais nova para que caminhasse; e o Andryo foi por conta própria no Jiu-Jitsu”, lista o médico, sem esconder o orgulho.
Pai e filho mais novo podem não concordar com relação à preferência por modalidade, mas concordam quando o assunto são os benefícios que traz a prática esportiva em qualquer fase da vida. “Os benefícios são todos, em todos os sentidos, físico, psicológico, ajuda a amenizar os sintomas do envelhecimento”, afirma Ronaldo, que já não se admite mais do que alguns poucos dias sem praticar algum tipo de atividade.
Já Andryo, 27, chega a ser até mais incisivo, ao entender o esporte como uma filosofia de vida. “Sei que saio do tatame uma pessoa melhor, um profissional, marido, pai, filho melhor”, reforça ele, que é fisioterapeuta.
Atualmente, Andryo treina 4 vezes por semana. “Esporte é uma coisa que tem a ver com respeito e eu passo isso para os meus filhos”, explica o jovem, que já deu ao filho mais velho um quimono de presente.

Oscar Pessoa passou para os filhos a herança genética de atletas da família. (Foto: Alberto Bitar)
Exemplo de disciplina e bem-estar
Nascido em uma família de esportistas, o odontólogo e professor universitário Oscar Pessoa, 49 anos, passou sua herança genética aos filhos: Maria Luiza, 10, e Daniel, 6.
O resultado é que, mesmo com tão pouca idade, eles já passaram por mais modalidades do que muita gente grande. Oscar garante que, apesar de sua afinidade, nunca impôs em casa o esporte como obrigação. Mas não deixa de dar um “empurrãozinho”.
Ele conta que sempre mostra à prole o esporte como um exemplo de disciplina, de bem-estar. “Maria Luiza já treinou tênis, que é o meu esporte favorito e que pratico desde criança, mas ficou no balé”, conta. Já Daniel, o caçula, tem uma agenda esportiva mais intensa: tênis, judô, futebol e natação. “O esporte ensina”, afirma.
Além de tenista, Oscar e a esposa são corredores de rua há mais de 20 anos. E esse ano, depois de muitas viagens dentro do Brasil para participar de corridas, ele conseguiu concluir uma maratona em Wurtzburgo, ao norte do Estado da Baviera, na Alemanha.
A ideia era ter uma história para contar para os netos, mas Oscar confessa que já viu que vai acabar viajando de novo para outras competições do tipo.
“Essa questão da maratona me mudou, é coisa de outro mundo, não é de gente normal!”, diverte-se. Prova disso é que, nem tendo rompido o tendão patelar há três anos, ao tropeçar quando fugia de um incêndio com os filhos no colo, o fez desistir de chegar ao seu objetivo.
“Quando voltei a correr e cheguei à reta final de uma prova, foi emocionante, só choro!”, lembra o odontólogo, que busca sempre associaro esporte à possibilidade de turismo com toda a família.
(Carolina Menezes / Diário do Pará)
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