Tomar açaí é um ato tipicamente paraense. Por isso, torna-se necessário debater alternativas para que o fruto seja consumido sem encarecer o produto final, no período em que não esteja em oferta, chamado de entressafra (de julho a dezembro). Agricultores, produtores, industriais e estudiosos se reúnem desde ontem na Universidade Federal do Pará (UFPA) para produzir, ao fim de três dias de encontro, uma carta de intenções para a melhoria do manejo, cultivo e produção do açaí. O documento será dirigido aos órgãos de competência do Estado do Pará.
Apesar de o Pará ser o maior produtor de açaí do Brasil, com a produção de 70% do cultivo nacional, o consumidor local ainda encontra o produto com preços elevados na capital paraense, sobretudo no período de entressafra. Em maio deste ano, o litro do produto chegou a custar R$ 23,95, um reajuste de 30% nos primeiros cinco meses de 2016, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
ENTRAVES
A principal dificuldade, contudo, esbarra na ausência de políticas públicas para incentivar o pequeno produtor, que equivale a 90% da cadeia produtiva. Faltam investimentos e recursos para o cultivo, além da introdução de tecnologia e financiamento, segundo aponta o produtor Teodorico Gomes, que tem 12 hectares de plantio de açaí e de outras culturas no município de Barcarena, região metropolitana de Belém.
Para Teodorico, as restrições impostas por agências bancárias refletem em grande obstáculo para quem deseja investir no cultivo e não tem poder aquisitivo. “Além de os bancos terem dificuldade em acompanhar o processo de financiamento, só é possível financiar um hectare. Isso é fora da realidade. Também não viabilizam a mecanização, já que não temos técnicos capacitados”, avalia.
MELHORAMENTO
Segundo o pesquisador da Embrapa João Tomé Neto, doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, há 15 anos estão sendo implantadas práticas para a seleção de melhores frutos de açaí, sem interferência na carga genética do fruto, com uso de técnicas de irrigação em terra firme em período de entressafra. “No Pará, a maior produção do açaí é feita em áreas de várzeas. A viabilidade dessa produção ocorrer em solo de terra firme significa uma alternativa”, afirma.
PROPOSTAS NOVA TÉCNICA A prática de irrigação em terra firme está sendo desenvolvida pela Embrapa desde 2003 em 10 mil hectares paraenses. Outra proposta abrange a comunidade ribeirinha e produtores da periferia. |
(Wal Sarges/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar