A crise faz parte da vida do empreendedor que é, antes de tudo, um persistente por natureza. Nathalia Rosa, 32 anos, é nutricionista de formação, mas atua como maquiadora. Desempregada, começou a atuar por contra própria e, com o aumento dos atendimentos à clientela, foi crescendo e decidiu se regularizar. Hoje, a maquiadora é um dos mais de 160 mil Micro Empreendedores Individuais (MEI´s) formalizados no Estado do Pará.
Para fugir das dificuldades, um número cada vez maior de pessoas está partindo para o próprio negócio. “Fui ao Sebrae pesquisar como poderia melhorar minha prestação de serviços e assisti uma palestra sobre como poderia me formalizar”, lembra. “Vi que era simples e aceitei a proposta de me tornar uma microempreendedora”.
A queda constante na atividade formal de carteira assinada, vem transformando pessoas sem ocupação em empreendedores, mas quem se aventura por essa vertente precisa tomar alguns cuidados. “Quem quer abrir o próprio negócio precisa desenvolver competências, pesquisar, fazer treinamentos e buscar consultorias. A informação nesse ramo é fundamental para o sucesso”, lembra Marcus Tadeu Alves, gerente de atendimento do Sebrae-PA.
Mudanças
Essa qualificação é primordial para quem vai abrir um pequeno negócio, setor que sempre é afetado pelas mudanças políticas e econômicas. “O fechamento de postos formais de trabalho significa que negócios estão fechando que não se preparam de forma adequada e o pequeno empreendedor não pode cair nessa mesma dificuldade”, aconselha. “Empreender é criar oportunidades novas no mercado. Oferecer algo de diferente ao seu cliente”.
Duas perguntas são básicas para quem quer ser um MEI: Que negócio eu quero montar e que público que eu quero atingir. “O empreendedor terá que montará um negócio não para si, mas sim para atender à expectativa de seus clientes”, explica.
A paciência é a virtude principal do empreendedor
A paciência é outra qualidade básica que o empreendedor deve ter. Muitas pessoas, que se veêm desempregadas de uma hora para outra, buscam criar um negócio de forma apressada. “O tempo que pode imaginar que está perdendo se qualificando, costumo dizer que é um tempo que está ganhando, empreendendo e planejando”, diz Marcus Alves. “É preciso desenvolver as habilidades que já se tem e buscar aprender as que ainda não têm”.
O principal motivo de fechamento das empresas, diz Marcus, é a falta de gestão, que vai desde a concepção a ideia do negócio, planejamento, compra, formação de estoque, além da gestão financeira e de pessoas ineficiente. “Todos somos capazes de empreender, mas precisamos aprender a dar o tempo necessário para amadurecimento das escolhas”.
Aposentadoria
Nathália Rosa não se arrepende da iniciativa e diz que hoje dependo exclusivamente do seu próprio negócio. Segundo ela a formalização fideliza clientes e traz segurança na prestação de serviços. “Como MEI passo a contribuir para o INSS, o que me renderá uma aposentadoria menos apertada”.
Quando surge uma boa idéia
A relações públicas Carolina Pimenta, 34 anos, atua como promotora de vendas e, a cerca de 2 anos, abriu uma empresa como MEI. “Eu precisava prestar serviços para uma instituição pública e emitir notas fiscais dos serviços prestados”, lembra. Na época, ela teve a idéia de criar uma “foodbike”, onde comercializa doces e confessa que já pensou em largar seu emprego formal para virar exclusivamente MEI. “Meu marido que trabalha comigo já pensou nessa possibilidade. Estamos vendo que é mais rentável investir na MEI. Hoje eu tento conciliar meu emprego formal com nossa Food Bike”, conta ela, que tem o negócio ao lado do marido Breno Ataíde.
(Luiz Flávio/Diário do Pará)
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