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Caroço de açaí é usado para criar móveis

É comum, ao caminharmos pelas ruas de Belém, nos depararmos com sacos e montanhas de caroços de açaí colocados na frente dos comércios que processam a fruta. Apenas na Grande Belém, são comercializadas mensalmente cerca de 30 toneladas de açaí, de acordo

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É comum, ao caminharmos pelas ruas de Belém, nos depararmos com sacos e montanhas de caroços de açaí colocados na frente dos comércios que processam a fruta. Apenas na Grande Belém, são comercializadas mensalmente cerca de 30 toneladas de açaí, de acordo com o Dieese-PA. Quando não é usado como aterro em casas e ruas na periferia, o material é despejado a céu aberto, sobretudo na periferia da capital. Mas, agora, esse material pode ter uma nova destinação.

Ao desenvolver seu doutorado em Engenharia dos Recursos Naturais, na UFPA, o biólogo e professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Antônio Mesquita pensou em reaproveitar esse resíduo, gerando sustentabilidade e inovação para a economia local. Após quatro anos de estudos, o pesquisador desenvolveu o produto adequado: o Ecopainel.

O painel, produzido a partir da fibra do caroço do açaí, é uma alternativa ao chamado “MDF” confeccionado em fibras de madeira. Ao ser reaproveitada, a fibra do passa por processos tecnológicos até chegar ao formato comercializado. “As fibras passam por um tratamento de lavagem, moagem, secagem, prensagem e a mistura com a resina de óleo de mamona, até alcançar o formato”, explica Mesquita.

Versátil e resistente, o Ecopainel pode ser utilizado por segmentos, como movelaria, construção civil, isolamento acústico, entre outros. “Fizemos ensaios, de acordo com a ABNT e internacionais, e chegamos à conclusão de que o produto tem condições técnicas de competir no mercado de painéis, ao lado de grandes fornecedores, como a China”, garante.

Para entender

Fabricação

O Ecopainel é feito a partir da fibra do caroço do açaí, matéria-prima oriunda dos resíduos dos caroços descartados. O material é não tóxico. Pode ser usado para criar móveis, paredes de costrução e isolamento acústico, entre outros.


Produto tem vantagens sociais, para o meio ambiente e a economia

O Ecopainel já foi patenteado por Mesquita no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Nos próximos 3 meses, o produto passará por um estudo de mercado realizado pelo Museu Emílio Goeldi em parceria com o Sebrae-PA.

O próximo passo é a comercialização do produto. “Esse estudo envolverá logística, mercado consumidor, custo final do produto, além do valor de investimento final para implantação de uma fábrica em Belém”.O pesquisador garante que toda a cadeia produtiva do Ecopainel será sustentável. “A vantagem é econômica, com baixo custo de insumo e ecologicamente sustentável”, garante. “Além de social com a criação de cooperativa para a inserção de comunidades tradicionais no processo de extração da fibra”, explica.

(Luiz Flávio/Diário do Pará)

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