“Tem de levantar a barra da calça até a ‘canela’ e encarar. Algumas vezes, ainda molha a roupa.” É dessa maneira que a dona de casa Cione da Silva, 40 anos, enfrenta os alagamentos na passagem Vilhena, onde mora, no bairro da Terra Firme, em Belém. Ela diz que já perdeu as contas de quantas vezes ficou doente por causa do contato coma água suja.
“Eu e minha família já adoecemos várias vezes, principalmente com micose e frieira. Infelizmente, não tem outra saída. Isso aqui está cada vez pior”, diz. Na rua Dois de Junho, no mesmo bairro, não é diferente.
A cabeleireira Fernanda Pessoa, 34, enfrenta dificuldades para sair de casa com o seu veículo. “Casas precisaram ter o piso levantado, algumas ruas ficam intrafegáveis. Pessoas e carros já caíram em ‘boca de lobo’ no meio da rua”, detalha.
Já na Celso Malcher, onde fica boa parte das lojas do bairro, há pouco mais de um ano, a Prefeitura de Belém construiu uma ponte, mas a obra só piorou os alagamentos, segundo os moradores.
PONTE
“A ponte não resolveu nada. Demora quase 3 dias para secar, isso se não chover. Mas nesse período de chuvas vai ficar bem pior”, aponta Jorge Oliveira, 60, comerciante. Por causa dos alagamentos, ele vem perdendo sua clientela. “Desde janeiro até agora, as vendas caíram 90%.
Está todo mundo quebrado”, contabiliza o comerciante. Com a mercadoria em cima de caixas, Elson da Silva, 52, tenta salvar os produtos da água que invade o pequeno comércio de bebidas, na passagem 24 de Dezembro, esquina com a Dois de Junho.
“Infelizmente, a obra da ponte só piorou. O jeito é meter o pé na água para atender os clientes. O problema é que eles não aparecem por causa disso”, lamenta. A reportagem procurou pela Prefeitura de Belém. Porém, até o fechamento desta edição,
não se manifestou.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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