Com mais de 50 anos dedicados ao trabalho no campo, o trabalhador rural Batista Alves, 68 anos, vê com preocupação as notícias sobre a possibilidade de aprovação da Reforma da Providência. Diante das mudanças significativas previstas pelo projeto no tempo de contribuição e nos valores dos benefícios, o idoso viu a necessidade de tentar adiantar o máximo possível a entrada no pedido da aposentadoria.
Batista conta que há três meses vem tentando cumprir os trâmites necessários para conseguir a aposentadoria de acordo com as regras atuais. Com base no que ele tem acompanhado nos noticiários a respeito da reforma, ele sabe que poderá ter prejuízos, caso o projeto seja aprovado antes de ele ter conseguido o benefício. “Eu estou tentando aposentar antes que aprovem essas mudanças”.
Pelas regras atuais, trabalhadores rurais como Batista podem se aposentar mesmo sem terem contribuído para a Previdência – desde que tenham, no mínimo, 60 anos de idade (homens) e 55 (mulheres) e consigam comprovar ao menos 15 anos de trabalho no campo. Caso a Reforma da Previdência seja aprovada da forma como está prevista, os trabalhadores rurais só terão direito à aposentadoria se fizerem contribuições obrigatórias para a Previdência Social. “Eu vejo as notícias e fico muito preocupado”, confessou Batista, enquanto aguardava por atendimento em uma agência da Previdência em Belém.
Dúvidas
Por mais que os serviços buscados nas agências ainda não fossem o de pedido de aposentadoria, como no caso de Batista, o assunto da Reforma da Previdência estava de certa forma presente nas conversas e dúvidas de muitos beneficiários. Também à espera de atendimento, a representante comercial Maura Ribeiro, 53, pretendia aproveitar a ida à agência para se informar sobre seu tempo de contribuição. A preocupação era a mesma: checar a possibilidade de se aposentar antes das possíveis mudanças. “Eu vim para pegar uma certidão negativa, mas vou consultar se eu já tenho tempo para me aposentar”, confessou.
Quem dá entrada no benefício antes da reforma sente alívio
Em outra agência localizada no bairro do Marco, em Belém, a trabalhadora doméstica Maria de Nazaré dos Santos, 60 anos, não escondia o alívio por já ter conseguido dar entrada no pedido de aposentadoria. Agora, tudo o que ela precisa fazer é aguardar o resultado. “Que bom que eu tive essa sorte de conseguir resolver tudo logo”, comemora.
Apesar da tranquilidade com relação à própria situação, Maria de Nazaré não nega a preocupação com os que ainda precisarão contribuir por muitos anos mais. “Eu fico pensando nos meus filhos, né? Se aprovarem a reforma vai ser ruim pra eles”, observa. “Se aprovarem essa reforma, vamos ficar reféns das novas regras”.
Para entender
O que muda com a reforma da previdência
Para receber 100% do benefício, o trabalhador tem de completar 49 anos de contribuição ao INSS.
Hoje, a soma da idade e do tempo de contribuição deve ser de 85 anos para mulheres e 95 para homens. Com a reforma, a idade mínima seria de 65 anos.
O tempo mínimo de contribuição hoje é de 15 anos. Com a reforma, passa a ser de 25 anos.
Hoje, trabalhadores rurais podem se aposentar com 55 anos (mulheres) e 60 (homens), se comprovarem 15 anos de trabalho.
Com a reforma, é preciso contribuir para o INSS e se aposentar com 65 anos e 25 de contribuição.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar