Em pleno dia de Natal, a aposentada Alzira Araújo, de 72 anos, moradora da travessa Mariz e Barros, bairro do Marco, em Belém, enfrentou muitas dificuldades. Menos de 1 hora de uma tempestade que caiu no início da tarde de ontem, foi o suficiente para alagar a casa inteira da idosa. “Toda chuva que dá eu perco tudo. Já não tenho quase nada”, lamenta Alzira, que mora há 12 anos entre a passagem São Pedro e canal da José Leal Martins.
Todos os cômodos da casa de Alzira estavam alagados. Desde o ano passado, ela conta que precisou comprar boa parte dos móveis porque só conseguiu salvar a geladeira e o fogão após o temporal durante uma madrugada. De lá pra cá, os móveis ficam apoiados em cima de tijolos, uma estratégia para não serem atingidos pela água. “Eu acordei com os pés dentro d’água. Não deu para salvar quase nada. Quando chega essa época, já fico preocupada. Tudo vai para o fundo”, diz. “O jeito é esperar a água baixar. Talvez só amanhã”, detalha sobre o alagamento de ontem.
KIT LIMPEZA
A enchente é o principal problema que moradores de ruas mais baixas e próximas de canais da capital enfrentam com as fortes chuvas. A dona de casa Eliete Costa, de 40 anos, moradora da travessa Mauriti, entre a passagem Hortinha e o canal José Leal Martins, afirma que já levantou o piso várias vezes devido ao alagamento. Ela acredita que a falta de limpeza nos bueiros, tubulação entupida e sem opção de escoamento da água, são os principais motivos para o sofrimento daqueles moradores. “Os canais transbordam e como é essa área é baixa, a água fica acumulada”, lembra. “Eu e minha família já adoecemos muitas vezes por que tivemos contato com esse alagamento. Não temos para onde ir”, diz.
Embora ontem tenha sido domingo de Natal, o funcionário público Moisés Filho, de 35 anos, morador da passagem Hortinha, precisou sair de casa e enfrentar a enchente. “Basta um chuvisco para as ruas ficarem alagadas. É complicado. Não tem para onde escapar”, explica. E para tentar evitar ser contaminado com a água, Moisés carrega o ‘kit limpeza’. “É uma garrafa de água e outra de álcool”, detalha.
(Michelle Daniel/ Diário do Pará)
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