A partir deste domingo, primeiro dia de 2017, o valor do salário mínimo no Brasil passará a ser de R$937. O aumento de R$57, em cima do valor de R$880 praticado em 2016, foi anunciado na última quinta-feira (29) pelo Governo Federal. Somente no Pará, cerca de 1,4 milhão de pessoas devem ser diretamente impactadas pelo reajuste.
Em estudo divulgado logo após o anúncio do aumento, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o novo salário mínimo terá apenas a correção da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período de janeiro a dezembro de 2016, estimado em 6,47%. Inicialmente, o Governo chegou a estimar que o salário mínimo aumentaria para R$945,80, porém, com base na estimativa da inflação, o valor ficou nos R$937.
BASE DE CÁLCULO
De acordo com o supervisor técnico do Dieese, Roberto Sena, a partir de 2003, uma política acordada entre o Governo Federal e as centrais sindicais estabeleceu que o reajuste do mínimo seria definido a partir da correção do índice da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. “Como em 2015 o PIB ficou negativo, para 2017 haverá apenas o reajuste da inflação”, explica Sena.
IMPACTO NO PARÁ
Apesar disso, segundo Sena, o aumento do salário mínimo deve injetar cerca de R$81 milhões por mês na economia do Estado do Pará pelos próximos 12 meses. “Ainda assim, o valor é muito baixo”, destaca. “Como os preços subiram mais que a inflação, o poder de compra proporcionado pelo aumento vai ser muito pequeno”, analisa.
Diante de um cenário econômico preocupante, o supervisor técnico e economista aponta que, pelos cálculos do Dieese, o salário mínimo precisaria ser de R$3.900, para que o trabalhador pudesse ter condições de acesso a habitação, transporte, educação, alimentação, lazer, etc.
Quando se observa a realidade específica do Pará, é possível identificar uma das dificuldades enfrentadas pelos que têm um salário mínimo como remuneração máxima, já que, segundo o estudo do Dieese, “os trabalhadores paraenses enfrentam mês a mês um dos maiores custos de vida do País”.
PARA ENTENDER - Cerca de 7 Dúzias de Banana, ao custo médio de R$ 7,61 por dúzia. |
O QUE VOCÊ ACHA DO NOVO SALÁRIO MÍNIMO?
“Com esse aumento não dá para comprar quase nada. É até uma vergonha propor um aumento desse", Carlos Soares, 70 anos, motorista
“O Governo tem de saber empregar o dinheiro que recebe. Esse aumento não condiz com a realidade atual. É baixo", José Teixeira, 76 anos, pecuarista
"O aumento é muito pouco, porque, quando aumenta o salário, aumenta gás, alimentação, energia...”, Denise Mendonça, 29 anos, babá
“Para quem precisa mais, o aumento é muito pouco, porque a situação da economia está difícil mesmo", Luiz Gonzaga, 66 anos, aposentado
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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