
O Palacete Bolonha teria sido um luxuoso presente do engenheiro Francisco Bolonha para a sua esposa, Alive Tem-Brink. (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)
Localizado na rua Doutor Assis, no bairro da Cidade Velha, a estrutura imponente do Palacete Pinho é mais um retrato da história vivenciada por Belém durante os tempos áureos da Belle Époque. Colorido pelos desenhos dos azulejos portugueses que recobrem toda a fachada, o casarão é apenas um dos muitos que, espalhados pela cidade, ajudam a contar parte dos 401 anos de formação da capital paraense. Apesar da relevância, tal registro encontra- se inacessível aos moradores e visitantes.
Passado o primeiro encantamento causado pela beleza do casarão, logo é possível perceber as grades trancadas. A professora paulista Maria José, 34 anos, nunca havia visto um prédio com tanta riqueza de detalhes como o Palacete Pinho. Todo o encantamento com a arquitetura, porém, precisou ficar restrita à fachada. “É um prédio belíssimo, que está abandonado. É muito triste que as pessoas não possam entrar para visitar. Deve ser muito lindo pelo lado de dentro também”, declara.
A também professora Maria Simone, 44 anos, lamentou a situação do palacete. “Cada detalhe desse prédio tem uma história para contar e é uma pena que fique inacessível assim”, avalia. Construído em 1897, o Palacete Pinho foi projetado pelo arquiteto Camilo Amorim. O proprietário foi o comerciante e comendador português Antônio José Pinho.
REFORMA
Quando Belém fez aniversário no ano de 2011, o palacete foi reinaugurado após uma reforma que envolveu recursos federais e municipais. Atualmente, porém, a estrutura do palacete já enfrenta problemas. Do lado de fora, é possível constatar que parte das persianas de madeira das janelas está quebrada, assim como algumas vidraças. O mato ocupa o pátio de entrada. Sem atenção do Poder Público, esse lindo prédio permanece fechado.
CAPELA POMBO AGUARDA RESTAURAÇÃO
No bairro da Campina, na travessa Campos Sales, a Capela Pombo também mantém as portas fechadas. O taxista Edson Jansen, 54 anos, trabalha no bairro desde os anos 80 e recorda que a capela era bastante visitada. “Eu vinha e pedia proteção no trabalho”, lembra.
Projetada pelo arquiteto Antônio Landi e construída em meados do século XVIII, a capela era propriedade particular até a compra pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em 2014. A ideia do Projeto Fórum Landi, responsável pela administração da capela, é promover o restauro do espaço para que ele possa ser novamente visitado pelo público. O projeto inicial ainda previa o funcionamento de escola de música sacra, nos fundos.
RESTAURO
De acordo com o arquiteto e coordenador do fórum, Flávio Nassar, o restauro depende de documentação que deve ser expedida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). “Da nossa parte, os projetos e o financiamento do restauro já foram aprovados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)”, apontou. Também é necessárialiberação de estudo de impacto ambiental e plano de manejo concedidos pela Prefeitura de Belém.
O professor diz que a documentação já foi encaminhada para a Semma há mais de 1 ano e que aindaaguarda posicionamento. Ele explica que “é a única capela privada que as famílias abastadas de Belém mandavam construir ainda existente”. A Semma alega que uma equipe fez vistoria no espaço e, em seguida, entregou notificação à UFPA, porém, ainda não recebeu resposta.
Abandono ofusca encanto de palacete
Outro marco da história de Belém, o Palacete Bolonha chama atenção assim que nos aproximamos do final da avenida Governador José Malcher. O casarão foi construído ainda no século XX, em meados de 1904, pelo engenheiro Francisco Bolonha. Atualmente, a utilização do espaço é dividida. Parte abriga um centro da terceira idade. Já a região frontal , onde teria realmente morado Francisco Bolonha, seria destinado à visitação.
No local, por volta de 10h de ontem, porém, uma equipe do DIÁRIO foi ao local e não encontrou ninguém na recepção da entrada do palacete. A alguns metros da entrada, ainda dentro do complexo Bolonha, funciona a Fundação Cultural de Município de Belém (Fumbel). No local, a informação obtida é de que o palacete mantém visitação ao público no horário de 8h às 12h, de segunda a sexta-feira.
Ao pedir para visitar o local, porém, a equipe foi informada que não poderiam fazer imagens do interior do prédio, sem que o motivo tenha sido esclarecido. Mesmo sem poder fazer o registro em imagens, a situação constatada pela equipe chamou atenção.
ESTRUTURA
O elevador que dá acesso ao segundo andar do Palacete está interditado. Subindo pela escada, o que se percebe desde os primeiros degraus é a quantidade enorme de poeira e até mesmo de insetos mortos.

Vizinha do palacete, Edilene Teixeira lembra que o espaço era cheio de móveis antigos. (Foto: Mauro Ângelo/Diário do Pará)
Quando se chega aos primeiros dos grandes salões que compõem o palacete, um enorme vazio. Dentre as salas e banheiros do segundo andar, nenhuma possuía qualquer móvel ou objeto em exposição. Só o que se podia ver eram as paredes e alguns lustres que compunham a decoração do teto. Já no 3º andar, apenas a sala que seria destinada a uma biblioteca pessoal do Bolonha tinha móveis, porém, sem condição de exposição. Havia uma mesa de madeira, uma escrivaninha com as gavetas desorganizadamente abertas e uma cristaleira com alguns livros. Assim como o restante do prédio, os móveis estavam tomados por poeira.
Moradora próxima do palacete, a autônoma Edilene Teixeira, 47 anos, recorda da única vez em que entrou no prédio, logo após a reforma em 2004. “Quando eu visitei tinham vários móveis. Várias cristaleiras antigas, sofás antigos, mesas que iam ajudando a contar um pouco como era a vida naquela época”, conta.
VISITAS
Edilene lembra, ainda, que naquela época o prédio recebia muitas visitas, inclusive de turistas. “Eu não vejo mais ninguém vindo visitar aqui. Dá até uma tristeza ver um prédio tão lindo nessas condições”, lamenta ela.
(Cintia Magno/Diário do Pará)
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