A quantidade de lixo que pode ser vista na calçada em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), no bairro da Cremação, em Belém, é surpreendente. Apesar de todo descaso e abandono que a cidade tem sofrido por parte de seus administradores, o que a população espera, ano após ano, é que problemas básicos, como a falha na coleta de lixo, sejam resolvidos.
O Solar da Beira, que foi ocupado por artistas em 2015 e desocupado com a desculpa que seria revitalizado segue abandonado pela gestão de Zenaldo Coutinho. Foto: Wildes Lima
Mato; bueiros abertos e cheios de lixo; galhos de árvores nas ruas; lama em praças; pontos turísticos, como o Ver-o-Peso, sem nenhuma manutenção e limpeza é o que se vê neste aniversário de Belém, que completa 401 anos nesta quinta-feira (12).
Imagens mostram situação de descaso e sujeira em Belém
A capital paraense segue abandonada. Obras sem fim, má educação no trânsito, falta de infraestrutura nas vias, insegurança à cada esquina e lixo, muito lixo, entre tantos outros problemas.
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Crianças, idosos e deficientes físicos devem ter cuidado redobrado ao caminhar pelas ruas de Belém. Foto: Wildes Lima
A situação preocupa moradores e assusta quem chega de fora. A colombiana Patrícia Cacua Gelvez está morando na capital para estudar pós-graduação na Universidade Federal do Pará (UFPA). Ela diz que, embora Belém seja bonita e tenha uma população "muito acolhedora", a enorme quantidade de lixo nas ruas e o abandono de pontos turísticos é um grande destaque negativo.
Como presente de aniversário à cidade, Patrícia é enfática: "desejo que Belém seja muito mais limpa; a solução para o problema da falta de limpeza pede urgência".
A quantidade de lixo se alia a outros problemas, como alagamentos, falta de saneamento básico e esgoto em muito trechos, formando uma cadeia perigosa e nociva à saúde da população.
O principal cartão postal da cidade, o Ver-o-Peso, é o retrato do abandono e do acúmulo de lixo que toma conta da capital paraense. Wildes Lima
A professora e pesquisadora Larissa Leal cita que assim como qualquer cidade nascida no Brasil do século XVI, Belém tem vários problemas de infraestrutura urbana que precisam, acima de tudo, de muita vontade política para resolver. "Saneamento é o maior destes problemas para mim, porque ele tem a ver com a própria dignidade humana. Basta andar pelos bairros à beira do rio Guamá para ver isso num cenário mais grave. Sanear é o primeiro passo para elevar a qualidade de vida na nossa cidade; e isso pede maior urgência", destaca.
Carne? Peixe? Frango? Não. Para muitos, o principal alimento vem dos detritos espalhados na cidade. Foto: Wildes Lima
A expectativa, no entanto, não é de que o problema será resolvido com rapidez.
A reportagem do DOL entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) para saber o porquê da demora no recolhimento do lixo em tantos pontos na cidade.
(Enderson Oliveira/DOL)
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