A crise econômica que aflige o País pode gerar um cenário ainda mais desagradável aos trabalhadores em Belém.
O reajuste da tarifa da passagem de ônibus, previsto para ser discutido em reunião na próxima segunda-feira (16), deve consumir boa parte da remuneração dos assalariados na capital paraense.
Atualmente, o valor da tarifa de ônibus em Belém e região metropolitana é de R$ 2,70.
Para este ano, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (Setransbel) sugeriu que o novo valor passe a ser R$ 3,40.
Já a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) da Prefeitura de Belém sugeriu R$ 3,15.
E o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acredita que o valor deve ser estipulado em R$ 3,10.
De qualquer forma, o reajuste representa um desfalque considerável no orçamento das pessoas que ganham até um salário mínimo, atualizado este ano em R$ 937,00.
Aquelas pessoas que precisam gastar ao menos duas passagens de ônibus diárias, considerando apenas os dias úteis, poderão ter desfalque mensal de R$ 149,60 caso a proposta aprovada seja a da Setransbel (mais cara).
Na mesma proposta, quem precisa pegar ao menos três ônibus deve gastar por mês R$ 224,40. E quem precisa pegar ônibus ao menos quatro vezes por dia terá desembolsado R$ 299,20 no fim do mês.
ÔNIBUS E CESTA BÁSICA DEIXARÃO TRABALHADOR NO VERMELHO
Os novos valores da passagem de ônibus somados à alimentação do belenense deixam o cenário ainda mais preocupante aos trabalhadores que recebem apenas um salário mínimo.
De acordo com o Dieese, em novembro de 2016 a cesta básica na capital paraense foi avaliada em R$ 415,86.
Se a proposta mais cara for aprovada, o valor da cesta básica somado a quatro passagens de ônibus diárias, por exemplo, pode chegar a R$ 715,06 no fim do mês, restando apenas R$ 221,94 do salário mínimo para as contas essenciais, como energia elétrica e água, e outras necessidades.
Mesmo as outras propostas de reajuste da tarifa não tornam o cenário menos desfavorável.
O reajuste de R$ 3,15 sugerido pela Semob e o reajuste de R$ 3,10 pelo Dieese deixariam sobrando no bolso do trabalhador, respectivamente, R$ 243,94 e R$ 248,34 para quem precisa gastar ao menos quatro passagens de ônibus.
Confira uma tabela mostrando o impacto do preço da passagem de ônibus em dias úteis (22 dias) somada à cesta básica, elaborada pelo DOL, e faça as contas:

(Felipe Saraiva/DOL)
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