O constante embarque e desembarque de passageiros no Terminal Rodoviário, por onde passam aproximadamente 150 mil pessoas por mês; a expressiva quantidade de comércios; restaurantes; bancos; além da rede hoteleira instalada, tornam São Brás um dos bairros mais movimentados da capital paraense. O local funciona como uma porta de entrada e saída de Belém, sobretudo para quem utiliza a rodoviária e os pontos de ônibus das linhas de Mosqueiro e de veículos expressos.
Uma das características do bairro é o trânsito rotineiramente congestionado, principalmente em corredores de grande circulação de veículos como as avenidas Governador José Malcher e Magalhães Barata. Chega a ser complicado definir onde o bairro “termina”, uma vez que faz fronteira com bairros centrais, Nazaré e Umarizal, e outros mais periféricos a exemplo do Guamá e Canudos. Mas não é somente a peculiar agitação que chama a atenção naquela área.
Depredação
O estado de abandono de alguns espaços públicos causa indignação aos transeuntes e a quem trabalha ou mora em São Brás. A ausência do poder público pode ser facilmente notada e locais como a Praça da Leitura, a Floriano Peixoto – onde monumentos históricos foram depredados e outros sumiram –, assim como o Mercado de São Brás, um ícone do bairro que tem sido castigado pela ação do tempo aliada ao descaso.
Natural de Recife, capital do Estado de Pernambuco, o taxista Ludovico Silva, 67, vive em Belém há mais de três décadas. Residindo em São Brás por quase 30 anos, apesar de reconhecer os problemas existentes ali, ele diz que não trocaria o bairro por nenhum outro. E atribui a sua preferência à localização estratégica do bairro – permite chegar ao centro ou sair da capital com facilidade – e por abrigar num só lugar variados tipos de serviços e estabelecimentos. Entretanto, para ele - que há 14 anos atua em um ponto de táxi situado na Praça do Operário, em frente ao terminal -, é desolador acompanhar de perto a falta de zelo com o logradouro, que poderia servir de ponto turístico. “Faltam limpeza, manutenção e mais segurança. Todo turista que chega aqui vê logo essa praça. Isso é vergonhoso, porque merecia ter uma aparência melhor”, pontua.
Mercado de São Brás está sem manutenção há anos
O centenário Mercado de São Brás não recebe manutenção há anos, apesar da sua importância histórica e arquitetônica FOTO: MARCO SANTOSDo lado de fora, há acúmulo de lixo, urubus, pichações, calçadas quebradas e monumentos depredados. Já do lado de dentro, é visível a falta de manutenção: o reboco antigo cedendo, paredes infiltradas, telhado tomado por goteiras e uma estrutura deteriorada. Apesar de sua importância histórica, com o cenário atual, fica difícil imaginar que um dia o Complexo do Mercado de São Brás – composto pelo mercado e a Praça Floriano Peixoto – já foi o principal cartão-postal do bairro.
Em maio deste ano, o espaço completará 106 anos, porém encontra-se totalmente desfigurado. Mesmo com todas as adversidades, os comerciantes seguem mantendo o local em atividade com as lojas de segmentos variados: movelaria, artesanato, produtos agrícolas, domésticos, vestuário, entre outros. A insegurança é outro grave problema que afeta aquela área, conforme destacou a presidente da Comissão de Feirantes do Mercado de São Brás, Rosana Araújo Martins, 54, que atua no local há 30 anos.
“Infelizmente não temos mais a esperança de transformá-lo em um mercado modelo turístico. É um patrimônio histórico que fica no coração da cidade”, lamenta Rosana, acrescentando que, após inúmeras tentativas de dialogar com o poder público por melhorias, hoje eles esperam o mínimo: uma pintura, a troca de lâmpadas queimadas, além de uma solução para sanar as infiltrações e goteiras. Ao todo, o mercado é fonte de renda para 500 trabalhadores. Juntos, eles arcam com o pagamento de vigilantes privados que fazem a segurança do mercado no período noturno.

Foto: Marco Santos
Curiosidades
O bairro de São Brás começou a ser ocupado no início do século XX, no período no qual Belém já havia passado pelo Ciclo da Borracha ou Belle Époque.
São Brás faz fronteira com os bairros do Umarizal, Fátima, Guamá, Cremação, Nazaré, Marco e Canudos. As avenidas Governador José Malcher, José Bonifácio, Magalhães Barata, Alcindo Cacela e Gentil Bittencourt estão entre as principais vias do bairro.
O bairro abriga pontos turísticos que fazem parte do patrimônio histórico e cultural de Belém. Entre eles estão o Museu Paraense Emilio Goeldi; Teatro Estação Gasômetro; Parque da Residência e o Mercado de São Brás - erguido em 1911 devido ao movimento intenso na área pela presença da antiga estrada de ferro Belém/Bragança.
Há ainda praças (da Leitura, Floriano Peixoto e do Operário) e a Caixa d’água de São Brás - estrutura de ferro fabricada na Europa inaugurada em 1884. É um monumento tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado, possuindo 20 metros de altura e sua capacidade é de 1.500.000 litros de água tratada.
Opinião
O que tem de melhor em São Brás?
O empresário Thyago Moreira, 34, optou por morar e instalar seu negócio no bairro de São Brás. Há 8 anos, montou um restaurante na travessa 14 de Abril. “Fiz uma pesquisa de mercado e vi que valia a pena investir. É um bairro totalmente favorável ao comércio. Isso é o melhor dele para mim.”
Qual o principal problema?
O ambulante Antônio Gomes de Sousa, 65, trabalha há 14 anos na Praça da Leitura, elege como principais problemas o abandono e insegurança daquela área. “Quando comecei aqui, essa praça era outra. Agora está tudo abandonado. O Memorial Magalhães Barata é só morador de rua e usuários de drogas."
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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