Em Curuçá, nordeste paraense, os arrastões dos blocos de Carnaval seguem até amanhã (28), mas a apoteose da folia de Momo ocorreu, ontem (26), com o cortejo do “Pretinhos do Mangue”. O bloco é o mais tradicional da cidade e conhecido nacionalmente por apresentar um caráter ecológico ao pedir a preservação dos manguezais na região. Homens e mulheres, de todas as idades, dispensam o uso de abadá e cobrem o corpo de argila para participar da festa. A concentração é no próprio mangue e um grupo de carimbó animava os brincantes enquanto eles se lambuzavam de lama. Depois, a multidão seguiu pelas ruas da cidade atrás de um carro alegórico com o boneco de caranguejo de 4 metros de largura – símbolo do bloco.
Segundo a estimativa da Polícia Militar, mais de 20 mil pessoas participaram do arrastão do bloco Pretinhos do Mangue. Os foliões começaram a chegar à cidade ainda no sábado (25).
“O bloco Pretinhos do Mangue não apresenta um tema a cada ano. A gente tenta reforçar apenas a importância de se preservar o bioma dos manguezais e as famílias que dependem dele”, destacou Edmilson Santos – o “Cafá” – que coordena o bloco desde 2000. “O Pretinhos do Mangue foi fundado em 1989 e nos impressiona o quanto ele cresceu”, frisou.

Antes do tradicional cortejo, os foliões foram ao mangue se lambuzar de argila e reforçar o discurso de preservação da natureza (Fotos: Fernando Araújo/Diário do Pará)
ECOLÓGICO
O bloco ecológico é o mais esperado durante os 4 dias de Carnaval. Os participantes chegam ao mangue por volta das 14h30 para começar a passar a argila pelo corpo. Nesse momento, os milhares de brincantes se tornam verdadeiras crianças e chegam até brincar de jogar o barro uns nos outros.
Não é porque o corpo fica coberto de argila que todas as “fantasias” serão iguais. A criatividade também prevalece entre os “pretinhos”. O marreteiro Nilson Botelho, 43, por exemplo, carregou um pirapema de quase 10 quilos. “É um peixe comum na região de mangues. É delicioso, por sinal, e precisamos preservar estas delícias que nós temos”, disse ao ser questionado sobre o porquê do pescado como adereço.
O aposentado Antônio Macedo, 78, também buscou no próprio meio ambiente parte de sua fantasia. Ele carregou 40 caranguejos em seu corpo, coberto de argila do mangue. “Eu sou pretinho do mangue e no mangue eu faço a minha fantasia”, brincou.
Amanhã, 28, terça-feira de carnaval o bloco “Pretinhos do Mangue” sai mais uma vez no corredor da folia para encerrar a programação de momo em Curuçá. Porém, por ser o último dia de festa o público participante deve ser bem menor.
(Denilson D'Almeida/Diário do Pará)
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