As lanchonetes de Belém poderão ser as mais prejudicadas com os efeitos da Operação Carne Fraca, desencadeada no dia 17 de março pela Polícia Federal. A operação revelou irregularidades no processo de certificação da carne comercializada no Brasil. Entre as empresas denunciadas estão a JBS e a BRF. São das marcas produzidas por elas que é fabricada a maioria dos embutidos consumidos nas lanchonetes de todo o País.
Salame, mortadela, bacon, salsicha e presunto são alguns dos ingredientes indispensáveis na composição dos lanches mais consumidos na cidade. Segundo o diretor jurídico do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Pará, Fernando Soares, é possível que os consumidores mais atentos à operação relacionem esses produtos e deixem de consumir.
“Os paraenses vão muito às lanchonetes e se não houver esclarecimento melhor sobre isso, as vendas poderão cair”, afirma Soares. Apesar do receio, por enquanto não há registro de reclamações no sindicato. A entidade, por sua vez, reitera que apoia a operação e a fiscalização sobre tudo o que é oferecido à mesa do cidadão e que possa afetar sua saúde.
CHURRASCARIAS
Enquanto as lanchonetes correm o risco de ver o movimento cair, os restaurantes e churrascarias de Belém ainda não estão sentindo os efeitos da investigação. Em alguns casos, aconteceu o inverso, com registro, inclusive, de aumento de clientes. “Na última semana, percebemos que o movimento cresceu de 10% a 12%”, informa Dilan Alencar, proprietário de uma grande churrascaria da cidade.
O motivo ainda não se sabe ao certo, mas quem atua no setor garante que a carne consumida na maioria desses estabelecimentos é produzida no próprio estado e que as regras sanitárias são observadas com rigidez.
Mesmo em tom de sarcasmo, os consumidores, no entanto, costumam comentar o assunto, procurando saber a procedência da carne. “As vezes os clientes brincam, perguntando se a marca não é uma das denunciadas na operação porque se for, vão embora”, diz Alencar.
PARA ENTENDER
O QUE É A “OPERAÇÃO CARNE FRACA”
- A Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, com foco na venda ilegal de carnes por frigoríficos, e deverá cumprir 38 mandados de prisão. Alguns dos principais frigoríficos do país estão na mira da operação, como BRF, JBS e Seara. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bi das investigadas.
- O objetivo foi desarticular uma suposta organização criminosa liderada por fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura, que, com o pagamento de propina, facilitavam a produção de produtos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização.
- A investigação revelou até mesmo o uso de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, por alguns frigoríficos, e a reembalagem de produtos vencidos.
(Leidemar Oliveira/ Diário do Pará)
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