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Escola estadual não vê reforma há 30 anos

À primeira vista, já se percebe o completo abandono da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Lucy Correa de Araújo, no conjunto Cidade Nova 6, em Ananindeua. Pendurada no muro com pintura desbotada, uma faixa anuncia: não há reforma há 30 anos. A

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À primeira vista, já se percebe o completo abandono da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Lucy Correa de Araújo, no conjunto Cidade Nova 6, em Ananindeua. Pendurada no muro com pintura desbotada, uma faixa anuncia: não há reforma há 30 anos. A passarela de acesso à instituição está desnivelada e a calçada, tomada de lama. Dentro, a situação piora. Os corredores estão interditados com fitas zebradas. Nos pilares de sustentação de madeira - já apodrecida -, há avisos para que os alunos redobrem a atenção.

Os espaços abertos oferecem riscos. Os galhos das árvores cobrem o telhado e neles proliferam insetos e morcegos. No chão de terra preta, há várias poças d’água, bueiros sem tampas e buracos. Nas salas de aula, os vidros das janelas estão quebrados. Quando chove, as goteiras ajudam a inundar os espaços. “Não podemos nos encostar nas paredes, nem nos pilares de madeira, que podem cair em nossas cabeças”, observa Giovana Pereira, 18, aluna do 3° ano do Ensino Médio.

Revoltada com a falta de cuidados com a escola que estuda desde a 5ª série, a jovem lembra que a estrutura do telhado do corredor principal desabou durante o recesso escolar. “Graças a Deus não tinha ninguém. Esse governo só vai fazer alguma coisa se o telhado cair e matar alguém. Será uma tragédia.”

PREOCUPAÇÃO

A dona de casa Leida de Melo, 41, faz questão de acompanhar sua filha, de 13 anos, até a porta da escola todos os dias. Mas, ao voltar à sua residência, ela tem medo de que algo aconteça com a menina no local. “Tudo está desmontando. As crianças não podem nem circular normalmente”, preocupa-se.

Já Regina Ferreira, de 48 anos, tem um filho no 9° ano e uma filha de 22, que já passou pelo colégio. “Tem muitos anos que não há reforma nem reparos. A cada dia, fica pior”, reclama. Ela lembra que a última pintura, feita no ano passado, foi através de uma coleta dos pais e professores. “Cada um deu R$ 2. Fazemos o que está ao nosso alcance”, ressalta.

Os banheiros estão com vasos entupidos, sem portas e com os pisos desnivelados e inundados. (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)

A instituição conta com uma área de convivência e outra de recreação. Ambas estão entregues, literalmente, às baratas. Para chegar às duas quadras de esporte - que não são cobertas -, é preciso atravessar um caminho, aberto entre o mato, que chega a 1,5 metro de altura. O tablado, que deveria servir para apresentações dos estudantes nos eventos, está ocupado por dezenas de cadeiras quebradas e enferrujadas. O local é conhecido como palco dos horrores. Os ralos dos banheiros não têm tampas e, entupidos, a água retorna e inunda o piso desnivelado. Não há descargas e as portasestão quebradas.

ENROLANDO

Na escola, que tem cerca de 2 mil alunos, nos turnos da manhã, tarde e noite, é comum faltar merenda. “Tem menino que desmaia de fome”, conta o professor de Língua Portuguesa Clodoaldo Oliveira, que há 11 anos trabalha na instituição. “A situação aqui é crítica. E, se acontecer alguma tragédia, é anunciada”, garante. A comunidade já fez diversos protestos para chamar a atenção do Governo do Estado. “Bloqueamos ruas, fizemos passeatas”, comenta. Clodoaldo enfatiza que já foram protocoladas dezenas de ofícios na Secretaria Estadual de Educação (Seduc). “Temos uma comissão de pais, professores e alunos. Fomos à Seduc, e eles ficam no gerundismo: estamos providenciando, vendo, solicitando”, relata Clodoaldo, que acha mesmo é que “a Seduc está enrolando”.

Local que deveria ser de cultura e lazer é chamado agora pelos alunos de "palco dos horrores". (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)

TRAGÉDIA É ANUNCIADA, DIZ SINDICALISTA

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Pará (Sintepp) compara a Lucy Araújo com uma bomba-relógio. “A qualquer momento, pode acontecer algo trágico”, preocupa-se Alberto Andrade, coordenador geral do Sintepp. O sindicalista afirma que já foram feitas inúmeras denúncias e, em cinco anos, a ampliação do muro foi a única providência da secretaria. “Já foram registrados assaltos ali. À noite, a iluminação é precária. A parte elétrica precisa ser refeita”, ratifica. Alberto diz que a escola já entrou no calendário de reformas da Seduc em 2015, 2016, e agora em 2017. “É orçada, mas nunca são executadas as melhorias. Isso também justifica a evasão de alunos”, finaliza Andrade.

SEDUC

Acerca da Escola Estadual Lucy Corrêa, no município de Ananindeua, aSecretaria de Estado de Educação (Seduc) esclarece que é elaborado projeto de obras específicas para essa unidade escolar, com o devido orçamento. O projeto vai contemplar aspectos variados da estrutura física da escola e a Seduc providenciará a substituição de equipamentos que foram danificados na unidade de ensino. A Secretaria de Educação mantém uma equipe de técnicos destinada a atuar em serviços emergenciais para atender a eventuais demandas na rede pública de ensino.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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