“É esse mau cheiro todos os dias e o dia todo”, diz revoltada a doméstica Vanda Marques, 57 anos, apontando para o amontoado de lixo em frente à sua casa, na estrada do Icuí, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém.
Além do lixo doméstico jogado em uma das principais vias do bairro do Icuí, há entulho e até animais mortos, causando doenças a quem mora próximo.
“Fica cheio de urubus em cima da carniça de cachorros mortos que jogam aí. A coleta não é feita direito. Passam apenas duas vezes por semana.
Para piorar, os carros de lixo deixaram de passar por aqui há 2 semanas por causa das péssimas condições da rua”, diz Vanda.
Para se desfazer do lixo, os moradores precisam ir deixar a quase 200 metros de distância, no início da rua principal do conjunto Mururé.
BURACOS
A quantidade de buracos na estrada do Icuí teria sido um dos principais motivos da morte do cunhado do pedreiro Nildo da Silva, de 45 anos, que morreu atropelado por um ônibus no ano passado.
De acordo com Nildo, o parente saiu de bicicleta de casa às 5h30 para deixar a esposa no trabalho. Mas, no momento em que um ônibus desviava da buraqueira, atingiu os dois moradores. O cunhado do pedreiro morreu na hora. A viúva ficou paraplégica e com três filhos.
“A situação está feia. A gente corre risco aqui. Os ônibus vão desviar dos buracos. Se não tomar cuidado, atingem a gente”.
Fabrício Souza, 36, empresário e morador do conjunto Uirapuru há 17 anos, ainda não viu nenhuma melhora no bairro durante esse tempo.
Segundo ele, são vários problemas que os moradores dos conjuntos Uirapuru e Mururé, no Icuí, enfrentam: falta saneamento básico, segurança e iluminação pública.
As ruas estão cheias de buraco, lama, lixo e mato. “O direito de ir e vir fica comprometido. Vivemos um verdadeiro descaso por parte do poder público. Ver o esgoto a céu aberto é triste”, desabafa Fabrício.

Coleta precária de lixo no local provoca mau cheiro constante e a lentidão do trânsito, devido aos buracos, facilita a ação de assaltantes. (Foto: Marco Santos)
Polícia diz que rua virou rota de fuga de assaltantes
Para que a equipe de reportagem conseguisse entrevistar os moradores em segurança, o investigador de Polícia Civil, Ubiraci Tavares, da Unidade Integrada ao ProPaz (UIPP) do Icuí, precisou acompanhar todo o trabalho do DIÁRIO.
O policial afirmou que o trecho da estrada que se tornou intrafegável também é palco de constantes assaltos, pois é no momento em que os veículos reduzem a velocidade que os criminosos atacam.
“Essa via se tornou, inclusive, rota de fuga, que dá acesso a ocupações como Afeganistão e Warislândia. E, para a polícia chegar lá, é muito difícil”, explica.
No momento em que a reportagem fazia as entrevistas, o motorista Carlos Farias, de 52 anos, passava com dificuldade. Ele precisa trafegar naquela rua duas vezes por dia e diz que a rotina se tornou tarefa difícil.
“Só buraco e prejuízo total, principalmente porque quebra a mola do veículo. Nunca fui assaltado, mas ouço muitos relatos. Quando a gente precisa diminuir a velocidade para conseguir passar, confesso que tenho medo”.
Sandro Henrique, supervisor de tráfego da empresa de ônibus Forte, explica que, devido aos constantes assaltos a rodoviários e passageiros naquela estrada, desde a última segunda-feira (24) foi necessário desviar a rota de duas linhas: Icuí/Presidente Vargas e Icuí/Ver-o-Peso.
A reportagem solicitou esclarecimentos da Prefeitura de Ananindeua, mas até o fechamento
desta edição não houve retorno.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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