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Jaloo é destaque no Festival Contrapedal

Com uma sonoridade pautada no encontro do indie com o tecnobrega, aliados a batidas arrebatadoras, e um visual andrógeno – já comparado até a artistas como Björk -, Jaloo tem sido o queridinho de festivais de música eletrônica e cosmopolita. E neste domin

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Com uma sonoridade pautada no encontro do indie com o tecnobrega, aliados a batidas arrebatadoras, e um visual andrógeno – já comparado até a artistas como Björk -, Jaloo tem sido o queridinho de festivais de música eletrônica e cosmopolita. E neste domingo é tido como a grande atração da primeira edição do Festival Contrapedal no Brasil. Com dez anos de história no Uruguai, o evento desembarcou em São Paulo neste fim de semana, explorando diferentes linguagens, como cinema, música, artes visuais e gastronomia, tendo como foco a nova produção artística da América Latina.

A participação de Jaloo será marcada por algumas intervenções, dedicadas a relembrar sua época de produtor – em que fazia remixes e mashups. “Na verdade é um número onde eu misturo o meu cover da Grimes com o mashup que eu fiz para a MC Carol. E aí eu canto a parte das duas, é um momento bem descontraído, legal. E só. O resto é tudo focado no primeiro disco!”, explica em entrevista ao Você, referindo ao seu álbum de estreia, “#1”.

E é dessa forma que o artista acabou se tornando sensação ao passar pelo badalado Lollapalooza deste ano, conquistando até os amantes do punk, e pela Virada Cultural paulistana, que estremeceu ao seu som, mesmo por baixo de chuva.

“Eu me sinto muito feliz e principalmente porque o trabalho está saindo, ele está andando com as próprias pernas. Acho que isso é o sonho de qualquer artista, que as músicas acabem sendo o cartão de visita dele por onde ele passe e por onde não passe também”, diz Jaloo, lembrando seu sucesso em países como o México, onde nunca esteve, mas que traz altos números de acesso às suas músicas por plataformas como o Spotify. “Eu sei que o México é o país que está em primeiro lugar em questão de ouvir o meu som e o número de pessoas é bem grande. Então, daqui a pouco eu posso fazer uma viagem para lá, tocar, e ter público de verdade, sabe? Isso é muito legal”, diz ele.

Festival é espaço de troca entre jovens artistas

Responsável por apontar novas tendências do mercado cultural, o Contrapedal também se preocupa em contemplar artistas cuja trajetória é marcada por linhas conceituais únicas no nosso continente, como é o caso do músico colombiano Edson Velandia, que se apresentou ontem, da banda gaúcha Cuscobayo, que recebe a participação especial do cantor pernambucano Tagore, da banda chilena Miss Garrison, definida pela Noisey (Vice) como “um som carregado de energias cósmicas, percussões soturas, sinthys profunos e experimentações eletrônicas”.

“Cidades colaborativas” é a palavra-chave do festival, aponta Roberto Guimarães, gestor de cultura do Oi Futuro, patrocinadora do evento. “A gente está falando de várias cidades e cidades do mesmo continente que, paradoxalmente, pouco se falam e colaboram umas com as outras. É emblemático incentivar o diálogo entre as cidades em si e as cidades e as pessoas”, considera. Ele destaca ainda a inclusão de Jaloo no line-up do festival. “Ele é a cara desse festival. Figura jovem, latina e com esse mundo digital que a gente vive, miturando eletrônico, com pop, e ainda travando diálogo com o regional. Foi o primeiro garoto propaganda e está como grande atração”, diz Guimarães.

Para Jaloo, que se apresenta no mesmo palco que artistas como a banda carioca Baleia e o cantor e compositor equatoriano Mateo Kingman, o Franny Glass, projeto-solo do músico uruguaio Gonzalo Deniz (vocalista do grupo Mersey), acaba mesmo dialogando com seu trabalho. “Nessa questão de novas músicas, novos sons e artistas, eu me enquadro bem. E fazer parte dessa curadoria é só um reflexo de um trabalho sendo bem executado”, diz ele. E o plano é seguir trazendo sempre algo novo. Atualmente com a barba por fazer e o cabelo mais curto, já se vê uma transição para o seu segundo disco.

“Eu estou trabalhando no disco novo, sim”, confirma ao Você. “Ele vai refletir um momento bem diferente da minha vida, que é sobre alguém que já teve contato, acesso, a esse meio artístico. Eu nem fazia parte disso no primeiro disco, meu trabalho era muito tranquilo nesse sentido, de estar viajando, de estar tirando foto com fã. Esse tipo de relação é uma novidade para mim e esse segundo disco vai ser um reflexo disso, além é claro de tantas outras coisas”. A previsão de lançamento de single é “entre a primavera e o verão desse ano”, diz ele. E o disco mesmo, só em 2018.

(Lais Azevedo)

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