Na próxima quinta-feira (30), o Supremo Tribunal Federal (STF) deve finalmente julgar a constitucionalidade da educação domiciliar. Ou seja, sobre a legalidade de os pais trocarem o ensino convencional, em sala de aula, pelo “home schooling”, prática que, segundo a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned) é praticado por pelo menos 7 mil famílias em todo o país. Hoje há entre 70 e 80 processos no Judiciário envolvendo famílias que optaram pela educação na própria residência (o chamado Homescholling), mas que estão parados, por determinação do STF, até o julgamento - uma concessão feita pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, após solicitação da Associação. Por não existir até hoje uma regulamentação sobre o assunto, o tema divide muitos especialistas. Na região Norte, há apenas 2% do total de famílias reconhecidas pela Aned que optaram por este modelo educacional. A psicóloga, psicopedagoga e mestre em Psicologia Ana Sylvia Colino aponta vantagens em educar os filhos em casa, como a flexibilidade quanto aos horários de estudo, liberdade e autonomia quanto aos métodos e recursos pedagógicos a serem usados e a adaptação dos conteúdos às demandas individuais. A professora pondera, no entanto, que o processo de socialização é prejudicado pela não convivência com os colegas em turmas do ensino formal. “A socialização fica restrita às oportunidades disponibilizadas pelas famílias, como frequentar igrejas, clubes, viagens, etc. Mas pode ser compensada em uma convivência em comunidades fraternas ou grupos de famílias que cooperam quanto ao ensino de seus filhos”, avalia. “São conhecimentos importantes para o desenvolvimento integral de crianças, como prevê, por exemplo, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação infantil”, analisa. Ao mesmo tempo, ele reconhece que estudar em casa significa, por exemplo, poder ficar mais tempo com a família e menor possibilidade de ter que passar por situações de bullying. Embora não tenha levantamento ou dados sobre a adesão à prática no Estado, a coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Infantil (Ipe) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Celi da Costa Silva Bahia, tem como opinião que não há razões para aderir ao homeschooling, e acredita na luta em defesa da qualidade da Educação oferecida às crianças, para que de fato elas cumpram sua função de formar seres humanos para viverem em sociedade. “É importante se pensar qual o objetivo da educação, que tem a função de formar seres humanos para o exercício da cidadania”, reitera. “Isso significa que a criança não precisa apenas aprender conteúdo de caráter científico para dar continuidade aos estudos. A formação humana para a cidadania se faz por meio das relações estabelecidas entre as crianças e entre elas e os adultos”, explica a educadora. |
(Carol Menezes)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar