Um oficial de justiça, com apoio de homens da Polícia Militar, despejou na manhã de hoje (13) o morador de um imóvel macabro, localizado na Avenida Dr. Celso Malcher, bairro da Terra Firme, periferia de Belém. Aparentando problemas mentais, o idoso Antônio Fonseca morava sozinho em um imóvel de dois andares que há muito tempo vem incomodando a vizinhança por seus aspectos assustadores.
Localizada em frente ao antigo Curtume da Terra Firme, a residência trazia, do lado de fora, alguns sinais de que algo muito estranho se passava em seu interior. As janelas traziam olhos sinistros desenhados à mão e fios elétricos desencapados para dar choque em quem tentasse entrar.
Apesar disso, ninguém imaginava o que iria ver quando entrasse na casa. Um cenário de destruição – visto apenas em imóveis atingidos por guerras ou terremotos – se misturava a objetos dos mais estranhos. Bonecas de pano, uma cruz feita com caixas de fósforos, imagens de santos, urnas, livros e revistas sobre satanismo, além de restos e ossos de animais, incluindo um cachorro e um gato mortos, estavam espalhados por toda a casa.
Tudo isso exalava um fedor insuportável (uma mistura de enxofre e creolina), que se juntava à podridão que vinha do banheiro, entupido por quilos de fezes que não eram recolhidas. Completando a cena, havia os números 18 e 888 desenhados nas paredes dos vários cômodos, que, aliás, diante de tanta bagunça, era quase impossível distinguir o que era a cozinha, a sala ou o quarto.
O imóvel pertence à Maria do Socorro Rego. Há tempos vem lutando na justiça para conseguir despejar Antônio Fonseca, que não paga o aluguel há pelo menos quatro anos. A “casa do espanto” também incomodava os moradores da vizinhança, que dizem que ele era muito barulhento e fazia rituais de macumba lá dentro. Segundo os moradores, Antônio já teria atacado um vizinho atirando-lhe álcool no corpo.
Em relação aos objetos encontrados na casa, Antônio disse que é esotérico. Mas aparenta sinais claros de desequilíbrio mental. Os policiais militares disseram que ele seria encaminhado a um posto de saúde para verificar se ele precisava de cuidados médicos. Depois disso, seu destino é incerto, já que ele não tem onde ficar. Extremamente magro, Antônio Fonseca disse que é de Cametá e não tem parentes em Belém.
(Carlos Gondim/DOL, com informações de Antônio Matos e Valéria Oliveira)
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