Policiais civis da Delegacia Especializada em Conflitos Agrários (Deca), sediada em Marabá, município do sudeste paraense, já estão na área do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Boa Es perança, na zona rural de Anapu, sudoeste do Estado, para reforçar a segurança no local.
Desde a semana passada a área vive sob a ameaça de conflito armado entre trabalhadores rurais assentados e madeireiros. A equipe da Dema, enviada pelo governo do Estado na quarta-feira (19) ao local, é comandada pelo delegado José Humberto de Melo Júnior.
No primeiro dia de trabalho no PDS, os policiais constataram o clima de tensão e prosseguiram com a apuração das denúncias feitas pelos assentados. Além disso, diversas barreiras policiais foram montadas na tentativa de encontrar armas de fogo, e também foram efetuadas rondas preventivas.
A equipe lavrou ainda dois TCOs (Termos Circunstanciados de Ocorrência) por crimes de ameaça e extração ilegal de madeira contra José Junior Avelino Siqueira, conhecido como "Junior da Semente".
Segundo as informações já colhidas no local, alguns assentados comercializam madeira extraída de forma ilegal do projeto de desenvolvimento. No entanto, outros assentados do projeto protestam contra a exploração ilegal de madeira, por isso decidiram montar uma barreira na estrada vicinal de acesso ao PDS para impedir a entrada e saída dos caminhões de madeireiros.
Divisão - "A administração da sustentabilidade no projeto era para ser responsabilidade da Associação dos Moradores do local, com o apoio do Incra e do Ibama. No entanto, em razão de interesses econômicos diversos, houve uma divisão da Associação local. A maioria dos integrantes admite a extração, e a minoria não permite a retirada de madeira das áreas coletivas. Por isso, eles montaram um bloqueio na estrada", explicou o delegado José Humberto de Melo Júnior.
Ele informou que 20% da área do PDS Boa Esperança são destinados ao assentamento dos trabalhadores rurais, e os demais 80% formam uma área de reserva natural coletiva. "Percebemos que existe uma disputa interna entre os próprios assentados, e um consequente estímulo ao conflito pelos madeireiros", disse José Humberto Júnior.
Na avaliação do delegado, há necessidade de medidas emergenciais por parte do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) quanto à organização, controle e fiscalização do PDS em Anapu. "Essas são as principais reivindicações dos trabalhadores rurais assentados no local", disse ele. (Assessoria da Polícia Civil)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar