Dor, revolta, lágrimas, tristeza e muita emoção marcaram o enterro de Isabele Cristina Colares da Silva (18) que morreu com queimaduras pelo corpo após o ex-companheiro, Raphael Gonçalves dos Santos, 24 anos, ter jogado gasolina e acionado um isqueiro sobre a cama onde a jovem dormia.
O enterro foi em Rondon do Pará, no final da manhã de ontem. Foi impossível descrever todos os momentos de tristeza e agonia que marcaram às 11 horas de velório, na Quadra Polivalente no centro de Rondon do Pará.
Aos prantos, a mãe de Isabele, Rosimeire de Oliveira Colares, clamava por misericórdia de Deus e o pai, Sansão de Lima Silva, tentou segurar as lágrimas no momento em que o caixão da única filha descia para o sepultamento. Os pais de Isabele são separados.
A lembrança do momento vai ficar na memória dos parentes, colegas de trabalho e amigos que compareceram ao Jardim da Paz.
SEM ENTENDER
Sansão, pai de Isabele, tentava entender a tragédia. Evangélico, pedia justiça dos homens e divina. Mesmo com a dor, ele tentava acalmar os outros familiares e amigos que chegavam para prestar homenagens à filha.
A mãe da jovem que acompanhou todo o drama em Belém, enquanto Isabele esteve internada, se emocionava ao lembrar os momentos de angústia que a filha sofreu e com a perda também de sua primeira netinha. Lamentando, disse não poder mais ver os olhos abertos da filha para dizer que a amava muito.
O vice-prefeito da cidade, Cláudio Nogueira, que além de político é dono da lanchonete onde Isabele trabalhava, não escondia revolta e tristeza da perda de forma violenta e cruel de uma excelente funcionária e amiga. Isabele era muito alegre e atenciosa com os clientes.
PEDIDO DE EMPREGO
A pedido da própria Isabele, Cláudio deu emprego a Raphael, mas ao perceber que ele não queria nada com o trabalho o dispensou. Cláudio chegou a chamar a atenção do Raphael quando soube que ele foi ao seu estabelecimento comercial ameaçar Isabele.
HOMENAGEM
Colegas de trabalho ao entrarem na Quadra Polivalente, todos de camiseta brancas com fotos da colega de trabalho, se emocionaram e pareciam não acreditar no que tinha acontecido. Foram unanimes em afirmar o quanto a colega era alegre, simpática, amiga e de um astral invejável.
Uma das colegas de trabalho disse que mesmo com os problemas que tinha com Raphael, Isabele se mantinha bem disposta, mas por trás daquela alegria, nos últimos dias, era possível perceber que algo estava acontecendo com ela. “Perguntávamos, mas ela se limitava a dizer que era impossível conviver com o ex-companheiro, porque apenas ela trabalhava, e também devido aos desentendimentos que vinham acontecendo entre o casal”.
Suas tias, que vieram de Belém para o enterro de Isabele, a todo momento diziam que houve muito sofrimento desde quando ela passou a se relacionar com Raphael.
Ex-patroa de Isabele, que também veio de Belém, disse que nunca imaginava que um dia tivesse que enterrar Isabele e sua filhinha, enterrada em Belém. “Quando ela trabalhou comigo no início, quando foi para Belém, cuidava de meus filhos como se fosse os seus. Tínhamos muita gratidão a ela”, disse a ex-patroa que chorava incessantemente.
Grande número de pessoas acompanhou o enterro de Isabele, no final da manhã de ontem (24). A saída foi da Quadra Polivalente até o cemitério Jardim da Paz.
O ACUSADO
O acusado pela morte da jovem, Raphael Gonçalves dos Santos, foi transferido para o presídio de Americano, segundo informações da Polícia Civil.
A criança de 12 anos, prima de Isabele que também sofreu queimaduras, continua internada no Hospital Municipal. Familiares informam que ela deverá ser transferida para uma unidade de saúde adequada em queimaduras, em Belém. (Diário do Pará)
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