A justificativa de Arinete Paiva da Silva, de 25 anos, não convenceu o delegado e titular da Delegacia de Repreensão ao Entorpecente (DRE), Hennison Azevedo. Ela contou que foi abordada por um homem chamado “Roberto” na fila do posto de saúde do Maguari e que ele pediu que ela pegasse algumas caixas nos Correios e, em troca, lhe conseguiria uma cirurgia de ligação de trompas.
“Como já tenho quatro filhos, com esse que está na barriga, aceitei, mas nunca imaginei que era droga. Ele disse que era cosmético”, disse a acusada. “Essa história está estranha. Como é que ela vai confiar numa pessoa e fazer coisas para ela sem mesmo saber o nome dela?”, indagou o delegado.
A grávida de quase nove meses foi presa em flagrante, por volta de 13h30 de ontem (26), junto com o mototaxista Jolison de Souza Braga, de 29 anos na frente da central dos Correios, na avenida Senador Lemos, bairro do Telégrafo, em Belém. Ela foi retirar duas caixas do “tal” Roberto e que seriam entregues a uma pessoa na parada de ônibus em frente a um shopping na BR-316.
As caixas continham dois frascos de perfumes e de sabonete líquido já usados, além de três pedras de oxi totalizando 2,4 kg. As pedras estavam muito bem empacotadas. “Na hora que essas caixas passaram no raio X, não deu para ver do que se tratava. A droga estava embalada com papel carbono que mascara o raio X. Também passaram pomada de Vic para enganar o faro dos cachorros”, contou o delegado Hennilson Azevedo.
Foi justamente o cheiro forte da pomada que chamou a atenção dos funcionários dos Correios que chamaram a polícia. “Os cachorros da polícia detectaram, mesmo com essa substância, que era droga. Então, aguardamos o destinatário da encomenda vir buscar as caixas. Foi assim que prendemos a grávida e o mototaxista em flagrante”, disse o delegado.
O mototaxista que responde um inquérito por estupro, se defendeu da acusação de que estaria traficando. “Eu não tenho nada a ver com isso. Ela fez sinal na Estrada do Aurá e eu só fiz levá-la por R$ 25 nos Correios”, contou.
Arinete contou que essa foi a segunda vez que fez esse serviço para Roberto. “Da primeira eu peguei uma caixa e deixei na praça central de Ananindeua. Eu nem queria mais fazer isso. Disse que essa seria a última, justamente por não saber do que se tratava”, contou. (Diário do Pará)
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