A estudante de direito Débora Ribeiro Mata Silva, de 20 anos, procurou na tarde de ontem a redação do DIÁRIO, para esclarecer as informações publicadas no domingo, 20, com o título: “Quarteto é preso sob acusação de roubar carros”.
Débora desmente as informações prestadas ao repórter Augusto Rodrigues pelo tenente Casseb e conta em detalhes os excessos que caracterizam abuso de autoridade que ela teria sofrido desde as 18h30 de sexta-feira (18).
Neste horário, ela chegou ao condomínio, à margem da avenida Independência, bairro da Cabanagem, para pegar roupas e participar do 1º aniversário do filho de seu primo, Rhuan Diego Mata Gouvêa, que estaria sendo comemorado na Cidade Nova 8, em Ananindeua. No condomínio, Débora chegou acompanhada de um mototaxista, que ficaria aguardando seu retorno no local.
Assim que saía do apartamento, Débora conta que foi abordada de forma humilhante e depreciativa por policiais da Rotam, que iniciaram um interrogatório no local, combinado de acusações e palavras de baixo calão. “Eles me algemaram e me colocaram no camburão da viatura. Logo após, ainda no condomínio, me mandaram sair para que eu os acompanhasse ao apartamento que pertence a minha mãe, onde fariam uma vistoria no local”.
A estudante relata que aproximadamente 15 policiais militares da Rotam entraram no apartamento, enquanto outros foram buscar o mototaxista que a aguardava. “Na sala, me colocaram de joelhos e iniciaram uma tortura para saber sobre o paradeiro de um veículo que teria sido roubado”. Ainda segundo ela, os policiais começaram a revirar todo o apartamento, desarrumando, quebrando e jogando objetos pelo chão.
“Falei a eles que era estudante de direito e era pessoa de bem, eles ignoraram a informação. Disseram que era mentira e começaram a tentar me asfixiar, por três vezes, com um saco plástico, apertando minha garganta e tentando me forçar a falar o que não sabia. O mototaxista também foi torturado. Eles colocaram o rapaz em um quarto do mesmo apartamento”.
Como os policiais, segundo Débora, não conseguiram coletar as informações que a acusavam, pediram para que a moça os levasse ao aniversário que ela iria participar. “Foi levada algemada, diante de olhares de vizinhos, até o carro da polícia. Desta vez, não me jogaram no camburão. Fui sentada na parte da cabine e fomos para o local do aniversário, na Cidade Nova 8”.
NOVAS AMEAÇAS
No caminho, os policiais da Rotam ainda teriam forçado novamente a jovem a falar sobre o paradeiro do veículo roubado, caso contrário fariam um flagrante de tráfico de drogas. “Eles me mostraram uma quantidade de droga e disseram que se fizesse eles perderem tempo e se não os levasse ao local certo meteriam a droga nas minhas partes íntimas. Ainda disseram que teriam encontrado o pacote com o produto no apartamento da minha mãe. Tudo mentira”.
ABUSO
Ao chegar à residência, policiais que estavam em número ainda maior e com mais viaturas teriam assustado a todos na festa, sobretudo a mãe de Débora, que ficou desesperada com a situação. “Eles (os policiais) mandaram abrir o portão da casa, mas minha mãe se negou a dar acesso aos policiais que não tinham nenhuma autorização judicial. A esposa de Rhuan, pai do aniversariante, com medo dos policiais que estavam com armas em punho efetuarem algum disparo e ferir alguém, disse que eles poderiam entrar. Minha mãe continuava no portão impedindo”.
Débora ainda relata que os homens da Rotam forçaram a entrada e arrebentaram o portão com um alicate”. No interior da residência, segundo a estudante, o que era para ser um ambiente de comemoração e felicidade se tornou em momentos de pânico. “Os policiais jogaram vatapá na parede e o bolo do aniversário no chão”, disse Débora. De dentro da casa de Rhuan, de acordo com a estudante, policiais teriam levado uma mochila cheia de objetos e que não teria sido apresentado na delegacia pelos policiais que registraram a ocorrência.
Disse ainda que a mãe também foi algemada e colocada numa viatura. O pai do aniversariante, o primo Rhuan Diego Mata Gouvêa, de 18 anos, também foi levado pra seccional de São Brás. A mãe de Débora, com 56 anos, foi desrespeitada pelos PMs. Ela conta que chegaram a dizer que “merda e a minha mãe era a mesma coisa”. A jovem assegura que desconhece os outros dois que foram presos logo após e colocados ao lado dela para posar para fotos como se fizessem parte do mesmo bando.
O pesadelo de Débora teve alívio após 30 horas de detenção no Centro de Recuperação Feminino. Ela foi liberada após expedição de alvará de soltura e teve o nome retirado da ação penal. Foi isenta de qualquer acusação.
Débora Ribeiro irá entrar com um processo contra o Estado, exigindo indenização por danos morais e materiais.
PM
A Assessoria de Comunicação da Polícia Militar foi contatada na noite de ontem e informou que vai se posicionar sobre o assunto até o final do dia de hoje. (DIário do Pará)
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